Quando eu menstruava, nem precisava marcar o dia de início no calendário. Tinha um alarme infalível: uma dor de cabeça daquelas. Essa ligação entre o ciclo menstrual e a enxaqueca não é por acaso. “Apesar de ser uma doença genética, ela também possui um fator hormonal. Hormônios como o estrogênio influenciam na sensibilidade e prevalência dos sintomas. Por isso, é mais comum em mulheres”, explica Tiago de Paula, neurologista especialista em cefaleia, membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC).
Com a queda do estrogênio que ocorre na menopausa, seria de esperar que as crises desaparecessem. Mas não é bem assim. Algumas mulheres sentem alívio depois da última menstruação; outras continuam tendo enxaqueca e há quem perceba uma piora justamente durante a transição hormonal, na perimenopausa. “Um estudo publicado no início desse ano observou uma piora das crises na perimenopausa”, pontua o neurologista. Uma revisão científica publicada em março de 2025 na revista Neurology and Therapy, também destaca o agravamento.
Os hormônios não são o único fator que merece atenção. Alguns medicamentos, incluindo determinados antidepressivos, e a reposição hormonal podem influenciar o padrão das crises. Já o uso frequente de remédios para aliviar a dor pode levar à chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos, que contribui para a persistência ou o agravamento das dores.
Há ainda alguns alimentos que funcionam como gatilho— e até pioram o quadro — em algumas pessoas, como café, chocolate e bebidas energéticas. Mas o especialista alerta que essa relação varia bastante de uma mulher para outra. Por isso, vale observar se existe um padrão entre o consumo e o aparecimento da dor, sem precisar excluir itens da alimentação indiscriminadamente.
No fim das contas, não há uma resposta única sobre o que acontecerá com a enxaqueca quando a menstruação chegar ao fim. As crises podem diminuir, persistir ou piorar. O importante é não achar que a dor é inevitável. Há tratamentos capazes de ajudar a controlar a enxaqueca e melhorar a qualidade de vida, seja em qual fase a gente estiver.
FONTE:/vogue/BR



