Ucrânia usa drone pesado para retirar soldado ferido da linha de frente

Hexacóptero adaptado resgatou militar isolado por minas e pela presença de drones russos; unidade apresenta missão como a primeira do tipo no mundo

Forças ucranianas realizaram uma evacuação aérea de um soldado ferido utilizando um drone pesado, em uma operação que reuniu diferentes unidades militares e a fabricante Gurzuf Defence. O resgate foi divulgado nesta segunda-feira (19) pela 92ª Brigada de Assalto, que o apresentou como a primeira evacuação desse tipo na linha de frente em todo o mundo. A alegação de pioneirismo mundial, porém, não foi confirmada de forma independente.

O militar, integrante da 30ª Brigada Mecanizada, havia sido ferido em sua posição. Segundo o relato da unidade, a intensa atividade de drones russos e o terreno minado impediam sua retirada por veículos terrestres não tripulados, levando os responsáveis pelo resgate a recorrer a uma aeronave remotamente pilotada.

De plataforma de bombardeio a meio de resgate

Para executar a missão, especialistas da 92ª Brigada trabalharam com a Gurzuf Defence na adaptação de um hexacóptero pesado normalmente empregado como bombardeiro. As modificações permitiram transportar o ferido mantendo a estabilidade da aeronave, com controle das oscilações durante o voo. O equipamento foi disponibilizado gratuitamente pela empresa.

Antes da operação, as equipes realizaram testes nas instalações disponibilizadas pelo fabricante. Um operador da 30ª Brigada pilotou o drone durante o resgate, que também contou com a participação da 14ª Brigada Mecanizada e do 10º Corpo de Exército. Segundo a unidade, o soldado está em tratamento e reabilitação, sem risco de morte.

Evacuação ocorreu no setor de Kupiansk

Informações divulgadas pelo hospital militar de Kharkiv e reproduzidas pela emissora pública ucraniana Suspilne identificam o combatente como Kostiantyn, de 49 anos. Ele foi retirado de uma posição no setor de Kupiansk, na região de Kharkiv, após sofrer ferimentos graves nas pernas. A reportagem identifica a aeronave utilizada como o hexacóptero Heavy Shot “Ayudag-6”.

O episódio ocorre em um cenário no qual a vigilância aérea persistente e os ataques com drones dificultam a aproximação de equipes de socorro. Reportagem da Reuters já havia documentado como essa ameaça pode obrigar militares feridos a permanecer durante dias nas proximidades da frente antes de alcançar atendimento.

A missão sugere uma possibilidade adicional para retirar combatentes de áreas inacessíveis por terra. Transformar esse recurso em uma capacidade regular dependerá, contudo, de demonstrar segurança e confiabilidade em sucessivas operações sob condições de combate.■



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FONTE: Google

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