Ironicamente, o feitiço virou contra o feiticeiro. É o Irã que acaba de ajudar a promover uma mudança de regime nos Estados Unidos. Não com a queda do governo Trump, mas por meio de uma vitória democrata impulsionada por trabalhadores insatisfeitos com um custo de vida asfixiante. É essa onda que vai emparedar o governo a partir do ano que vem.
É verdade que a caneta do presidente dos Estados Unidos continua muito forte para iniciar guerras e levantar tarifas. Mas Trump terá que lidar com o verdadeiro inferno político que será o controle do Senado e da Câmara pelos seus opositores (bem como a nova maioria de governadores da oposição). Vai governar acorrentado ao próprio caos que ajudou a criar.
Sempre é bom explicar porque falta amor no mundo, mas também interpretação de texto. Não estou elogiando Teerã, um regime violento contra a própria população e que trata mulheres que buscam liberdade como lixo. Não há romantismo na teocracia fundamentalista. Contudo, é papel da própria população se organizar, resistir e substituir o seu regime. Essa não é uma tarefa terceirizável para uma potência estrangeira cujas reais intenções na região cheiram a interesses petrolíferos e lobby de armas, não a direitos humanos.
Em seus delírios de grandeza, Trump chegou a adaptar o seu famoso lema para defender a queda do governo persa: “MIGA” (Make Iran Great Again), exortando a população iraniana a se insurgir contra os aiatolás.
O mais irônico de toda essa tragédia geopolítica é que, antes que a insurgência fosse efetiva no Oriente Médio, foi a população dos Estados Unidos que se insurgiu contra o seu próprio governo e o emparedou nas urnas. Ao final, de forma torta, é o Irã que pode ter ajudado a “Make America Great Again”.
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