Para ela, a cena sintetiza um problema que ganhou dimensão inédita no país: em 2025, a Argentina registrou 5.209 suicídios —11,8 casos para cada 100 mil habitantes, a maior taxa da série analisada pelo Observatório de Política Criminal, baseada em dados oficiais do governo argentino.
O número representa alta de 57,7% em relação a dez anos antes, quando foram registrados 3.304 suicídios na Argentina, então governada pelo ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019). A taxa passou de 8,2 para 11,8 casos por 100 mil habitantes —aumento de 43,9%.
O suicídio também se tornou a principal causa de morte entre argentinos de 15 a 34 anos, superando acidentes de trânsito, segundo dados citados no relatório “Ayuda: cuando matarse aparece como una opción en Argentina” (“Ajuda: quando se matar é uma opção na Argentina”, em tradução livre).
“Vemos muita ansiedade, muita depressão, falta de expectativas. Quando tudo isso se junta, é complicado. Não podemos ter um país no qual a taxa de suicídios supere a de homicídios”, disse María ao UOL, durante sua participação no Colóquio IDEA, principal fórum empresarial do país, realizado anualmente em Mar del Plata.
O tema chegou ao debate público nas últimas semanas. A cantora Lali Espósito falou sobre o aumento dos suicídios diante de milhares de pessoas em show no estádio Monumental. O assunto também vem sendo discutido no Congresso Nacional.
Nos dois governos anteriores ao de Milei, de Mauricio Macri e Alberto Fernández (com Cristina Kirchner como vice-presidente), os suicídios não eram tema de debate nem ganhavam espaço na mídia nacional. A crise já estava instalada, mas os números ainda não haviam atingido um recorde.
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