Relações tóxicas: por que insistimos em manter pessoas que nos fazem mal por perto

Recentemente assisti um video da psicóloga Pamela Magalhães no Instagram em que ela falava sobre a necessidade de atualizar as pessoas que queremos manter perto de nós. Muitas vezes, continuamos preservando amizades, colegas de trabalho e relações familiares apenas porque fizeram parte de nossa vida durante muitos anos. Mas algumas pessoas que foram importantes no passado podem deixar de fazer sentido no presente e até nos fazer muito mal.

Na hora enviei uma mensagem para Pamela: “Vamos falar sobre a urgência de nos afastar de pessoas tóxicas para as leitoras da Vogue?” Conheci Pamela em 2011, quando fizemos a análise de uma pesquisa nacional sobre a saúde da mulher brasileira. Desde então, já conversamos muitas vezes sobre a culpa que sentimos ao nos afastar de pessoas que nos fazem mal. Pamela sabe que o tempo é nosso bem mais precioso e que, ao longo da vida, mudamos: nosso corpo, nossos sonhos, nossas prioridades e nossa maneira de enxergar o mundo. E, como tudo na vida, as amizades também precisam de atualização. Algumas pessoas continuam fazendo sentido, mas outras já não combinam com quem nos tornamos. “É uma questão de autopreservação”, ela diz.

Pamela questiona por que insistimos em agradar pessoas que nos diminuem. Para ela, quando não reconhecemos nosso próprio valor, nosso direito de sermos amadas e nossos limites, podemos acabar alimentando relações que sugam nossa energia, alegria e saúde física e mental. Ela conta que demorou bastante tempo para romper com algumas relações tóxicas, até compreender que não podemos mudar o outro por mais que desejemos. Cada pessoa só muda quando decide mudar. Por isso, temos o direito de escolher quem queremos ter por perto: pessoas que nos tratem como merecemos, nos enxerguem e nos valorizem.

Aos 44 anos, casada há 16 e com uma filha de 5 anos, Pamela já deu cursos para mais de 30 mil alunos, inúmeras palestras no Brasil e no exterior, e tem 6 milhões de seguidores nas suas redes sociais. Apesar da imagem de vida perfeita que muitas vezes as pessoas constroem sobre ela, Pamela também enfrentou dores, perdas e sentimentos muito difíceis de elaborar.

Pamela Magalhães — Foto: Divulgação

Sentir-se inferiorizada, insuficiente, desvalorizada, não ser escolhida, ser abandonada, descartada, trocada ou traída são experiências que podem abalar profundamente nossa autoestima. Ela conhece bem esse sofrimento. Foi uma menina muito tímida e solitária e viveu inúmeras situações de rejeição. Sentiu-se deixada de lado, teve expectativas frustradas e, muitas vezes, se arrependeu de confiar nas pessoas.

Para ela, apesar de todas as conquistas que experimentamos ao longo da vida, continuamos carregando um enorme peso de responsabilidades. Vivemos negociando conosco mesmas o que devemos ou não fazer, nos culpamos pelo que fizemos, pelo que deixamos de fazer e até pelo que imaginamos que deveríamos ter feito.

Temos problemas para reconhecer nossos limites, delegar responsabilidades e, principalmente, dizer não. Pamela nos faz refletir sobre a dificuldade de reconhecer que mudamos, que nossas necessidades se transformam e que não somos obrigadas a preservar para sempre relações que já não fazem sentido.

Maturidade, para ela, é saber escolher as pessoas que merecem nossa energia, atenção, amor e carinho. Aquelas que realmente importam na nossa vida de hoje, que nos fazem sentir em casa e com quem temos uma conexão que dá significado à nossa existência.

Terminamos nossa conversa com uma pergunta que considero especialmente importante: o que podemos fazer agora para acolher e honrar a menininha tímida e insegura que um dia fomos e fazê-la sentir orgulho da mulher que nos tornamos?

FONTE:/vogue/BR

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