O príncipe Harry, de 42 anos, revelou como o perfume favorito de sua mãe, a princesa Diana, o ajudou a recuperar lembranças que acreditava ter perdido para sempre. Durante uma nova MasterClass sobre o luto, lançada na quinta-feira (08.10), o duque de Sussex contou que passou anos reprimindo suas emoções após a morte da princesa, em 1997, e chegou a ter dificuldades para recordar até mesmo sua voz e sua risada.
“Eu tinha me esquecido de como era a voz da minha mãe. Tinha me esquecido da risada dela. Eu não conseguia visualizar como ela era fisicamente sem olhar para uma fotografia dela”, revelou Harry.
Segundo o príncipe, foi durante a terapia que ele conheceu uma técnica utilizada com veteranos militares que enfrentavam transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). O método consiste em utilizar aromas familiares para estimular lembranças associadas a experiências traumáticas.
No caso de Harry, o cheiro escolhido foi o do perfume First, da Van Cleef & Arpels, fragrância floral usada por Diana e mencionada pelo duque em seu livro de memórias, Spare, publicado em 2023.
“Foi como ser transportado para outra época. Desbloqueou tudo o que estava trancado antes. Ainda havia o muro, o muro emocional e mental que eu construí, onde tudo de bom e de ruim estava do outro lado. Mas borrifar o perfume da minha mãe foi quase como derrubar certos tijolos, permitindo que eu enxergasse através dele e que certas memórias e experiências começassem a surgir”, explicou.
A revelação faz parte da MasterClass Redefinindo o Luto: Construindo Resiliência Através da Perda, na qual Harry conversa com a neurocientista Mary-Frances O’Connor sobre os efeitos da perda de uma pessoa querida no cérebro e no corpo.
Segundo a revista People, o projeto começou a ser desenvolvido no ano passado e foi gravado na Califórnia durante o verão norte-americano. O lançamento aconteceu às vésperas do Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro. A renda será destinada às organizações Comfort Zone Camp e Scotty’s Little Soldiers, que oferecem apoio a pessoas enlutadas.
Príncipe Harry relembra morte de Diana e desafios para lidar com o luto
Harry tinha apenas 12 anos quando Diana morreu em um acidente de carro em Paris, em agosto de 1997. Na época, ele e o irmão, príncipe William, caminharam atrás do caixão da mãe durante o cortejo fúnebre realizado em Londres.
Ao recordar aquele momento, o duque de Sussex afirmou que se sentiu desconfortável ao perceber que muitas pessoas demonstravam mais emoção do que ele e o irmão. “Olhando para trás agora, sinto como se meu irmão e eu fôssemos intermediários para o luto dessas pessoas pela nossa mãe, e elas estavam demonstrando mais emoção do que nós”, contou.
“Foi muito, muito estranho ver as centenas de mãos que apertamos encharcadas de lágrimas que as pessoas enxugavam do rosto. Quase me senti culpado por não conseguir demonstrar a mesma emoção que aquelas pessoas que choravam por alguém que nunca tinham visto antes”, acrescentou.
Harry revelou que só conseguiu chorar após o enterro privado de Diana, realizado em Althorp, propriedade onde a princesa passou parte da infância. “Lembro-me de pensar ou sentir que chorar era realmente bom”, disse.
Apesar disso, o príncipe contou que, durante anos, alimentou a esperança de que a mãe estivesse viva e pudesse retornar para buscá-lo junto com William. “Eu acreditava que ela tinha criado essa saída para escapar de tudo que estava destruindo sua vida e que ela voltaria disfarçada para nos levar, a mim e ao meu irmão, para longe dali”, explicou.
Segundo Harry, essa crença permaneceu por cerca de uma década e funcionou como uma maneira de se proteger emocionalmente. “Essa crença protetora durou uma década. O mecanismo de defesa da mente e do corpo era bloquear as emoções e bloquear as memórias. Não apenas as memórias ruins, mas também as boas”, afirmou.
Harry conta como aprendeu a lidar com a ausência da mãe
Durante a conversa, a neurocientista Mary-Frances O’Connor explicou que o olfato possui uma forte ligação com a memória por estar associado a regiões do cérebro, como a amígdala e o hipocampo, responsáveis por processos relacionados às emoções e às lembranças.
Para Harry, recuperar as memórias da mãe também foi importante para compreender que poderia voltar a sentir felicidade sem que isso significasse esquecê-la. “Passei muito tempo emocionalmente anestesiado, em grande parte porque me sentia desleal e culpado pela possibilidade de ser feliz e alegre sem ela. Sentia que precisava estar triste e emocionalmente anestesiado para provar a ela que sentia sua falta”, desabafou.
“Mas a verdade é que descobri que ela só queria que eu fosse feliz. E isso representou uma grande mudança de mentalidade para mim. Me libertou e me deu uma perspectiva completamente diferente da vida”, completou.
Atualmente, o duque de Sussex afirma que encontra na família e no trabalho beneficente uma maneira de manter viva a memória de Diana. Ele também reconheceu semelhanças entre as causas sociais que abraçou e aquelas defendidas pela princesa.
“Tudo o que eu faço, tudo em que dedico minha energia, espero que minha mãe se orgulhe disso”, declarou. “Com o luto vem isto: não é tanto uma responsabilidade, mas sim o ato de carregar a pessoa que você perdeu ao longo da vida. Há um elemento de carregar minha mãe dentro de mim que, em última análise, me energiza para o trabalho que faço”, acrescentou.
Com a aproximação dos 30 anos da morte de Diana, em agosto de 2027, Harry estaria considerando diferentes projetos para homenagear a mãe. Segundo a People, entre as possibilidades está a produção de um documentário sobre a princesa, embora nenhuma iniciativa tenha sido oficialmente confirmada.
FONTE:/vogue/BR



