O príncipe Harry, de 42 anos, revelou que ainda mantém uma forte conexão espiritual com sua mãe, a princesa Diana, morta em um acidente de carro em Paris, em agosto de 1997. Em entrevista à revista “GQ”, o Duque de Sussex contou que costuma fazer perguntas à mãe e que, em determinadas ocasiões, sente que recebe respostas. O relato faz parte de uma reflexão sobre o luto e a maneira como sua relação com a memória de Diana mudou ao longo dos anos.
A conversa, conduzida pelo jornalista Zach Baron, foi gravada durante uma visita de Harry a Nova York, em setembro, e divulgada recentemente. Na ocasião, o príncipe foi questionado sobre sua participação em uma MasterClass dedicada ao luto, na qual revelou que, depois de passar anos evitando pensar na mãe, atualmente se lembra dela “praticamente todas as noites e na maioria das manhãs”.
Durante a entrevista, Harry explicou que esses momentos de conexão não envolvem necessariamente longas reflexões. Segundo ele, as lembranças surgem de maneira espontânea, acompanhadas da saudade e da curiosidade sobre como seria sua vida caso Diana ainda estivesse viva.
“Eu não me aprofundo muito”, admitiu Harry a Zach Baron, da GQ. “Não fico lá sentado – e provavelmente deveria – mas não fico pensando muito em ‘Como estou me sentindo?’”.
“É só um pensamento rápido, tipo, ‘Nossa, que saudade. Imagina como seria o mundo se você ainda estivesse aqui. Imagina como seria minha família se você ainda estivesse aqui'”, compartilhou ele.
O Duque de Sussex também surpreendeu ao contar que, em algumas situações, dirige perguntas diretamente à mãe, buscando algum tipo de orientação. “Existem perguntas que eu meio que me faço”, continuou Harry. “Às vezes, faço perguntas a ela buscando algum tipo de resposta – e às vezes eu recebo uma resposta.”
Ao comentar a experiência, o príncipe brincou que suas declarações poderiam causar estranhamento e dar a impressão de que ele havia “passado tempo demais na Califórnia”, estado norte-americano onde vive com Meghan Markle e os filhos, Archie e Lilibet.
Apesar do comentário bem-humorado, Harry garantiu que considera essa ligação algo importante em sua vida, especialmente depois do trabalho emocional que realizou para compreender a perda da mãe.
“Mas, tendo realizado o trabalho que realizei, ainda existe uma conexão com a minha mãe, e eu realmente sinto a energia dela em certos momentos e em certas fases da minha vida”, acrescentou.
Durante sua participação na MasterClass sobre luto, o príncipe também compartilhou detalhes sobre a relação que mantém com as fotografias da princesa Diana. Segundo Harry, existe um retrato específico, feito pelo renomado fotógrafo francês Patrick Demarchelier, que desperta nele uma sensação especial de proximidade com a mãe.
Na imagem, Diana aparece com uma expressão que, para o filho mais novo do rei Charles III, transmite características marcantes de sua personalidade. “Eu consigo estabelecer contato visual com ela, e há um toque de malícia no sorriso dela… Eu me sinto muito conectado a ela”, disse Harry sobre o retrato.
O príncipe contou que, em alguns momentos, observa a fotografia e imagina como Diana reagiria às decisões que ele tomou ao longo da vida. “Às vezes me pego olhando para ela e me perguntando: o que será que ela está pensando sobre o que estou fazendo agora?”, compartilhou ele.
Entretanto, essa relação com as lembranças da mãe nem sempre foi tão tranquila. Harry explicou que, durante a infância e a adolescência, evitava olhar para fotografias de Diana porque acreditava que recordar sua ausência apenas intensificaria a dor.
“Apesar de ter fotografias no meu quarto na escola, lembro-me claramente de não pensar na minha mãe, porque pensar em algo tão triste nunca a traria de volta”, recordou.
Harry também falou sobre os efeitos emocionais provocados pela perda precoce da mãe. O duque tinha apenas 12 anos quando Diana morreu, aos 36, e passou boa parte da juventude tentando lidar com a ausência.
Segundo ele, durante muito tempo, a tristeza se tornou uma espécie de obrigação emocional. O príncipe acreditava que demonstrar felicidade poderia representar uma forma de deslealdade à memória da mãe.
“Passei muito tempo emocionalmente anestesiado, em grande parte porque me sentia desleal e culpado pela possibilidade de ser feliz e alegre sem ela”, disse ele. “Sentia que precisava estar triste e emocionalmente anestesiado para provar a ela que sentia sua falta.”
Com o passar dos anos, entretanto, Harry começou a compreender o luto de outra maneira. A mudança de perspectiva permitiu que ele deixasse de associar a saudade à necessidade de permanecer triste.
O duque explicou que passou a acreditar que Diana gostaria de vê-lo vivendo plenamente, independentemente da dor provocada por sua ausência. “A verdade é que descobri que ela só queria que eu fosse feliz. E isso representou uma grande mudança de mentalidade para mim. Me libertou e me deu uma perspectiva completamente diferente da vida.”
Além das lembranças pessoais, o príncipe revelou que encontra outra maneira de preservar a presença da mãe em sua vida: a dedicação a causas humanitárias.
Diana ficou mundialmente conhecida por seu envolvimento em projetos sociais e por defender pessoas em situação de vulnerabilidade. Décadas depois, Harry acredita que parte de seu trabalho filantrópico reflete os valores que marcaram a trajetória da princesa.
O duque afirmou que nem sempre percebeu essa semelhança, mas que, com o tempo, passou a identificar uma conexão entre as causas que escolheu apoiar e aquelas defendidas pela mãe. “Tudo o que eu faço, tudo em que dedico minha energia, espero que minha mãe se orgulhe disso”, diz ele. “Tentando dar continuidade e proteger seu legado, o que eu não percebi foi que o trabalho que acabei escolhendo, ou o trabalho pelo qual acabei me envolvendo e me atraindo, era muito semelhante ao trabalho que ela fazia.”
Para Harry, preservar a memória de Diana não significa apenas recordar o passado, mas também permitir que a influência dela continue presente em suas escolhas e atitudes.
Ao encerrar sua reflexão, o príncipe destacou que o luto pode transformar a maneira como uma pessoa conduz a própria vida, fazendo com que a lembrança de alguém que morreu se torne uma fonte de motivação.
“Com o luto vem isto – não é tanto uma responsabilidade, mas sim o ato de carregar a pessoa que você perdeu ao longo da vida”, acrescenta. “Há um elemento de carregar minha mãe dentro de mim que, em última análise, me energiza para o trabalho que faço.”
FONTE:/vogue/BR



