Um dos cartões-postais mais conhecidos de Londres, o Palácio de Buckingham guarda uma história que vai muito além das cerimônias e aparições públicas da Família Real britânica. A propriedade, que ocupa aproximadamente 15,8 hectares, equivalentes a 39 acres, começou a ganhar importância durante o reinado de Jaime I, no século XVII, quando a região ainda era marcada por áreas agrícolas e terrenos pantanosos.
Desde 1837, o palácio funciona como residência oficial e sede administrativa da monarquia britânica. O edifício também recebe importantes compromissos da realeza, incluindo visitas de Estado, banquetes, recepções diplomáticas e a tradicional celebração Trooping the Colour, que marca oficialmente o aniversário do monarca.
Atualmente, a propriedade possui 775 cômodos, distribuídos entre nove salas de Estado, 52 quartos destinados à realeza e aos convidados, 188 acomodações para funcionários, 92 escritórios e 78 banheiros, segundo informações divulgadas pela Família Real.
O espaço externo também impressiona. Considerado o maior jardim privado de Londres, o terreno abriga um lago de aproximadamente 1,2 hectare, quadra de tênis, heliponto e mais de 30 espécies de aves silvestres. As Cavalariças Reais, responsáveis por guardar carruagens e coches utilizados em cerimônias oficiais, também integram o complexo.
Todos os anos, mais de 50 mil pessoas participam de eventos promovidos no palácio, entre jantares, almoços, recepções e festas nos jardins. Além disso, determinadas áreas são abertas à visitação pública em períodos específicos. De acordo com o Royal Collection Trust, cerca de 590 mil visitantes conhecem a residência anualmente, sem contar os milhões de turistas que passam pela região para fotografar o edifício ou acompanhar a Troca da Guarda.
De terras agrícolas a uma das propriedades mais famosas do mundo
Antes de se transformar em símbolo da monarquia, a área onde hoje está localizado o Palácio de Buckingham fazia parte da Mansão de Ebury, uma extensa propriedade de aproximadamente 500 acres, formada por pântanos e terrenos agrícolas. Durante o período saxão, essas terras pertenciam a Eduardo, o Confessor.
A ligação com a realeza começou a ganhar força no reinado de Jaime I, entre 1603 e 1625. Na tentativa de desenvolver a produção de seda na Inglaterra, o monarca determinou o plantio de amoreiras para alimentar bichos-da-seda. O projeto, entretanto, não teve o resultado esperado.
Segundo o site oficial da Família Real, o rei “escolheu o tipo errado de amoreira, e a produção de seda nunca decolou na Grã-Bretanha”.
A construção que deu origem ao atual palácio surgiu em 1703, quando John Sheffield, primeiro Duque de Buckingham e Normanby, encomendou uma residência particular conhecida como Buckingham House. Inicialmente, a propriedade era composta por um edifício principal de três andares, acompanhado por duas alas menores destinadas aos serviços domésticos.
Como a propriedade passou para as mãos da Família Real
Em 1762, o rei George III adquiriu Buckingham House para transformá-la em uma residência privada de sua esposa, a rainha Charlotte, e dos filhos do casal. A partir de então, o imóvel passou a ser chamado de “A Casa da Rainha”. Naquele período, o Palácio de St. James continuava sendo o principal centro oficial da corte britânica.
A transformação definitiva começou após a ascensão de George IV ao trono, em 1820. O monarca decidiu ampliar a antiga residência e convertê-la em um palácio, entregando a responsabilidade pelo projeto ao arquiteto John Nash.
Foi somente em 1837, com a chegada da rainha Vitória ao poder, que Buckingham se consolidou como residência oficial do soberano britânico. Aos 18 anos, Vitória tornou-se a primeira monarca a morar oficialmente no local.
A rainha também inaugurou uma tradição que atravessaria gerações. Em 1851, ela realizou a primeira aparição registrada na famosa varanda do palácio, espaço que posteriormente se tornaria cenário de acontecimentos históricos.
Desde então, a varanda passou a receber integrantes da Família Real em casamentos, jubileus e celebrações nacionais. Um dos momentos mais marcantes aconteceu em 1945, quando o rei George VI apareceu acompanhado de seus familiares para celebrar a vitória dos Aliados na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.
Atualmente, a tradição permanece viva, especialmente durante o Trooping the Colour, quando os membros da monarquia se reúnem para cumprimentar a população.
Reforma milionária pretende preservar o palácio por mais 50 anos
Apesar de conservar características históricas, o Palácio de Buckingham passou por diferentes intervenções ao longo dos séculos. Uma das mais importantes está em andamento desde 2017, quando foi iniciado um programa de modernização com duração prevista de dez anos.
O investimento estimado é de US$ 460 milhões, destinado principalmente à substituição de sistemas elétricos, hidráulicos e de aquecimento, que não recebiam uma atualização completa desde a década de 1950.
A intenção é garantir que o edifício continue funcionando com segurança pelas próximas décadas, preservando sua importância histórica e institucional. Em comunicado oficial, Tony Johnstone-Burt, responsável pela administração da Casa Real, destacou a necessidade das intervenções.
“O Palácio de Buckingham é um dos edifícios mais emblemáticos do mundo, e este programa foi concebido para prolongar a sua vida útil por mais 50 anos. Após a conclusão das obras, teremos um Palácio em condições de ser utilizado até 2067.”
Ele também explicou que grande parte das mudanças acontece em áreas que não são percebidas pelos visitantes. “O programa aborda partes da estrutura que não são visíveis do lado de fora: o encanamento, a parte elétrica e outros serviços essenciais do edifício que ficaram seis décadas sem uma modernização completa.
“Levamos a sério a responsabilidade que advém do recebimento destes fundos públicos; da mesma forma, estamos convencidos de que, ao fazer este investimento no Palácio de Buckingham agora, podemos evitar uma falha estrutural muito mais dispendiosa e potencialmente catastrófica nos próximos anos. Também estamos confiantes de que a opção que escolhemos – a Remodelação Faseada de 10 Anos – oferece a melhor relação custo-benefício, permitindo simultaneamente que o Palácio permaneça totalmente operacional e ocupado.”
Rei Charles III não pretende morar no Palácio de Buckingham
Embora o edifício tenha sido a principal residência londrina de diferentes gerações da monarquia, incluindo a rainha Elizabeth II, o rei Charles III decidiu seguir um caminho diferente. Em junho de 2026, foi revelado que o monarca e a rainha Camilla não pretendem se mudar para Buckingham, mesmo após a conclusão das obras de modernização.
A decisão representa uma mudança significativa na tradição da Família Real, já que o palácio continuará exercendo funções oficiais, mas não será utilizado como residência principal do casal.
“Sua Majestade mantém um enorme carinho pelo Palácio de Buckingham e um profundo respeito pelo seu papel na vida real e pública”, afirmou o palácio. “Ele continuará sendo uma residência oficial, mas buscamos ampliar o acesso público justamente para maximizar o benefício nacional de um edifício financiado com recursos públicos.”
A expectativa é que Charles e Camilla permaneçam morando na Clarence House, residência que utilizam em Londres.
Príncipe William também pode romper tradição
O futuro do Palácio de Buckingham como residência dos monarcas britânicos também é incerto para a próxima geração. O príncipe William, primeiro na linha de sucessão ao trono, não demonstra intenção de transformar o edifício em sua casa principal quando assumir a Coroa.
Em 2025, o príncipe de Gales e Kate Middleton se mudaram para Forest Lodge, em Windsor, acompanhados dos três filhos, George, Charlotte e Louis.
A propriedade é apontada como a residência definitiva da família, que pretende continuar vivendo no local mesmo após uma eventual ascensão de William ao trono.
FONTE:/vogue/BR



