Padilha diz que áudio de Vorcaro sobre Lula é mentira e “narrativa absurda”

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acusou, nesta sexta-feira (9), a campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de criar uma “narrativa absurda” a partir do vazamento de um suposto áudio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento de um filme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o ministro, a estratégia da campanha do senador consiste em equiparar as duas situações, apresentando a de Flávio como a mais favorável, com o argumento de que o dinheiro para o filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi obtido de forma legal, enquanto Lula teria agido ilegalmente.

“Agora, dos mesmos criadores do fracassado ‘eu fiz, mas o Lula também’, a nova ficção é que o Flávio Bolsonaro recebeu dinheiro do Daniel Vorcaro de forma legal e o filme sobre o presidente Lula teria recebido de forma ilegal”, disse o ministro em um vídeo publicado em suas redes sociais.

Se a estratégia não funcionar para parte do eleitorado, ela poderá servir para desestimular os eleitores a irem às urnas, com o discurso de que os dois são iguais. Nesse cenário, Flávio se beneficiaria da diferença no resultado apresentado no primeiro turno.

“Qual o interesse do Vorcaro em falar uma mentira que prejudica o Lula e beneficia o Flávio Bolsonaro nessas eleições? Por que seria melhor para o Vorcaro o Flávio ser presidente em vez do Lula? Esse áudio que viralizou é um movimento coordenado para manipular as eleições e te convencer de que o que o Flávio fez não é tão grave ou, no mínimo, de que todos são iguais e aí, para que votar? E com isso garantir a pequena vantagem que eles têm nas pesquisas de segundo turno”, pontuou Padilha.

No vídeo, Padilha relembrou os acontecimentos relacionados à descoberta do pedido de Flávio para obter R$ 134 milhões do ex-dono do Banco Master. Segundo ele, o senador inicialmente negou a solicitação quando questionado por um jornalista do The Intercept Brasil. Depois que o áudio vazou, Flávio voltou atrás e disse que se tratava de um financiamento privado, realizado antes da descoberta dos esquemas da instituição financeira. No entanto, relatos apontaram que houve um encontro entre os dois quando Vorcaro usava tornozeleira eletrônica.

“A quem interessa dizer que o filme de Lula teria sido escondido e ilegal, mas que, no caso do filme do Flávio Bolsonaro, foi patrocínio e tudo legal? Você já viu alguma empresa patrocinar alguém de forma secreta? Não é justamente a visibilidade que interessa à empresa ao fazer o patrocínio?”, questionou.

Por fim, Padilha afirmou que o caso do áudio foi rejeitado pela Polícia Federal por falta de documentos que comprovassem a transação para o filme do presidente.

Mais cedo, nesta sexta-feira, Flávio falou sobre o assunto e comparou a suposta situação de Lula à sua. A diferença, segundo ele, é que o seu caso se trata de um “financiamento”, enquanto o de Lula seria de “propina”.

“E o que nós vimos agora, com um áudio do próprio Vorcaro, dizendo o que sempre falei no dia um: ‘Com o filme do Bolsonaro não tem nada de errado. Já com o filme do Lula, foi dinheiro por fora’. Esse cara recebeu propina. Então, o Bolsonaro pediu patrocínio e o Lula pediu propina”, disse o senador.

Horas antes, a campanha de Lula já havia se manifestado, afirmando que o depoimento no qual o ex-controlador da instituição financeira, Daniel Vorcaro, teria dito que negociou supostas vantagens indevidas com o ex-tesoureiro do PT é “uma farsa”.

“Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Portanto, uma farsa”, diz o comunicado.

A CNN entrou em contato com a campanha de Flávio e aguarda posicionamento.

Entenda a relação entre o áudio de Vorcaro e Lula

Tudo começou quando a revista Veja publicou, na noite de quinta-feira (8), uma reportagem com uma manchete que mencionava um áudio no qual Vorcaro teria negociado com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recursos para financiar a produção de um documentário sobre Lula no exterior.

Segundo a reportagem, o ex-banqueiro teria detalhado o esquema em um anexo que foi levado à PGR (Procuradoria-Geral da República). O órgão, entretanto, alegou falta de provas e não avançou no caso.

Segundo a publicação da revista Veja, o empresário teria pago R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para financiar a produção de um documentário sobre o presidente no exterior.

Integrantes da PF (Polícia Federal) informaram à CNN Brasil que a corporação recusou a delação premiada de Vorcaro por ausência de elementos mínimos que pudessem dar credibilidade ao que ele disse.

 

FONTE:CNN/BR

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