O presidente Lula (PT) não pretende desistir de indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Uma fonte próxima ao presidente disse a CartaCapital que o nome do AGU “nunca foi colocado em dúvida”.
Messias foi indicado ao STF em abril. A escolha enfrentou resistências no Senado devido a um desgaste na relação de Lula com o presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União-AP), avaliam governistas.
Desde a abertura da vaga no STF, Alcolumbre defendia a indicação de Rodrigo Pacheco. A opção de Lula por Messias, sem alinhamento com o presidente do Senado, foi interpretada como um gesto de desprestígio e foi o suficiente para que o senador atuasse contra o AGU, resultando na negativa de sua indicação ao STF.
A avaliação, segundo apurou a reportagem, é que o presidente deve aproveitar a atual composição do Senado para tentar emplacar ainda neste ano a indicação de Messias. Para aliados de Lula, o cenário do Senado em 2027 será mais desfavorável a esta indicação.
Apesar da intenção, o presidente precisa evitar o ruído que ocorreu no início do ano e convidar Alcolumbre para uma conversa a fim de tentar “criar as condições necessárias para não ter uma surpresa ruim”, disse uma segunda fonte. Além disso, a relação do presidente com Messias, ao que tudo indica, “não poderia estar melhor”, disse o interlocutor do Planalto.
A recusa de Messias em ajuizar uma ação contra André Mendonça a pedido de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, não comprometeu a confiança de Lula no AGU. Naquela ocasião, o presidente acreditava que era preciso diminuir os ataques ao STF, uma vez que a crise respingava em sua campanha.
“O Messias sempre esteve do nosso lado e quem entendeu o contrário, com toda franqueza, ou não tem uma percepção correta da realidade, ou agiu com má-fé”, comentou o aliado do presidente. O advogado-geral conta também com apoio de pessoas do entorno de Lula.
Com a nova indicação, o rito recomeça, com Lula enviando formalmente a indicação ao Senado após a conversa com Alcolumbre, que ficará responsável por marcar a data da sabatina. Para ser aprovado, o indicado precisa de pelo menos 41 votos.
Nos próximos quatro anos, além da vaga de Luis Roberto Barroso, que ainda não foi ocupada, Lula poderá indicar outros três ministros devido às aposentadorias de Luiz Fux, em 2028, Cármen Lúcia, em 2029, e Gilmar Mendes, em 2030.
FONTE: cartacapital



