Desfile de aniversário do rei Charles passará por mudança radical e desperta preocupação com segurança

Uma das celebrações mais tradicionais da monarquia britânica está prestes a enfrentar uma mudança significativa. O Trooping the Colour, desfile militar realizado anualmente em Londres para comemorar o aniversário oficial do rei Charles III, terá alterações em seu esquema de segurança, provocando preocupação entre integrantes das Forças Armadas do Reino Unido.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal britânico The Telegraph, a Polícia Metropolitana de Londres pretende diminuir sua participação em eventos militares cerimoniais. A decisão faz parte de uma reorganização dos recursos da corporação, motivada por restrições orçamentárias e pelo aumento da demanda por policiais nas ruas.

Com a mudança, grande parte das funções de segurança atualmente desempenhadas pelos agentes deverá ser transferida para uma empresa privada. A medida também afetará outras cerimônias tradicionais da monarquia, como a Troca da Guarda no Palácio de Buckingham e as salvas de canhão.

Príncipe William e Rei Charles — Foto: GettyImages

Polícia Metropolitana explica decisão de reduzir segurança

A diminuição do efetivo policial em eventos cerimoniais está relacionada à necessidade de priorizar o policiamento ostensivo e o combate à criminalidade na capital britânica.

Em declaração ao The Telegraph, um porta-voz da Polícia Metropolitana afirmou que a população espera uma presença maior dos agentes nas ruas. “O público quer, com razão, ver policiais na linha de frente, prendendo criminosos e mantendo nossa cidade segura. Essa é a nossa prioridade.”

O representante também explicou que as dificuldades financeiras e a crescente demanda pelos serviços policiais obrigaram a corporação a rever a distribuição de seus profissionais.

“Em um contexto de cortes financeiros e aumento da demanda, tivemos que tomar decisões difíceis sobre o que priorizar para proteger os londrinos e, nos últimos meses, temos dialogado com o Ministério da Defesa sobre as mudanças propostas na forma como apoiamos eventos cerimoniais militares”, acrescentou o porta-voz.

Membros das bandas reunidas da Divisão da Guarda no Palácio de Buckingham, no 25º aniversário do 11 de setembro — Foto: Getty Images

Segundo a publicação, aproximadamente 17.800 policiais foram mobilizados para dar suporte a cerimônias militares ao longo do último ano, gerando um custo estimado em US$ 14 milhões.

A nova estratégia busca reduzir essas despesas e liberar parte dos agentes para outras atividades de segurança pública.

Exército britânico demonstra preocupação com nova medida

Apesar das justificativas apresentadas pela Polícia Metropolitana, a proposta não foi recebida com tranquilidade por todos os envolvidos na organização dos eventos.

Uma fonte ligada ao Exército britânico manifestou preocupação com a possibilidade de empresas privadas assumirem responsabilidades anteriormente atribuídas aos policiais.

Segundo a fonte ouvida pelo The Telegraph, profissionais contratados não conseguiriam “fornecer o mesmo nível de garantia aos soldados e ao público em relação à segurança diante de qualquer risco potencial à segurança”.

Membros da Guarda Escocesa no Palácio de Buckingham no 25º aniversário do 11 de setembro — Foto: Getty Images

A avaliação reflete o receio de que a diminuição da presença policial comprometa a capacidade de resposta diante de situações inesperadas durante as cerimônias. O Trooping the Colour reúne milhares de espectadores nas ruas de Londres, além de integrantes das Forças Armadas e membros da família real. Por esse motivo, a segurança representa uma das principais preocupações dos responsáveis pela organização.

Até o momento, a mudança anunciada não significa o cancelamento ou a redução do desfile, mas uma alteração na maneira como será realizada parte da proteção dos participantes e do público.

Trooping the Colour reúne mais de 1.400 soldados

Considerado um dos acontecimentos mais importantes do calendário oficial da monarquia britânica, o Trooping the Colour é realizado tradicionalmente em junho.

A cerimônia celebra o aniversário oficial do soberano e reúne integrantes da família real em um desfile pelas ruas de Londres. O evento conta com a participação de mais de 1.400 soldados, aproximadamente 200 cavalos e cerca de 400 músicos militares.

Durante a celebração, membros da realeza acompanham a procissão montados a cavalo ou em carruagens, enquanto tropas realizam apresentações e marchas cerimoniais. Um dos momentos mais aguardados acontece no encerramento, quando os integrantes da família real aparecem na varanda do Palácio de Buckingham.

Diante de uma multidão, eles acompanham uma demonstração aérea militar, que tradicionalmente marca o ponto alto das comemorações. Desde que assumiu o trono após a morte da rainha Elizabeth II, em setembro de 2022, Charles III passou a ocupar o centro das celebrações.

George, Charlotte e Louis também participam da tradição

Rainha Camilla, Rei Charles, Príncipe William, Kate Middleton, Princesa Charlotte, Principe George e Príncipe Louis — Foto: GettyImages

O desfile não é importante apenas para o monarca, mas também representa uma oportunidade de reunir diferentes gerações da família real britânica.

O rei Charles participou pela primeira vez do evento em 1951, quando seu avô, o rei George VI, ainda ocupava o trono.

Décadas depois, a tradição passou a incluir seus próprios netos, príncipe George, princesa Charlotte e príncipe Louis, filhos de William e Kate Middleton. As crianças costumam acompanhar a mãe em uma carruagem durante o desfile e, posteriormente, aparecem na varanda do Palácio de Buckingham ao lado dos demais integrantes da família.

A presença dos herdeiros mais jovens é um dos momentos que mais despertam a atenção dos admiradores da monarquia. Ao longo dos anos, as imagens das crianças acenando para o público e acompanhando a apresentação aérea se tornaram parte das cenas mais comentadas da cerimônia.

Tradição militar teve origem nos campos de batalha

Embora atualmente seja associada às comemorações da família real, a origem do Trooping the Colour está diretamente relacionada às práticas militares britânicas.

Segundo os Museus Reais de Greenwich, a cerimônia surgiu da necessidade de os soldados reconhecerem as bandeiras de seus regimentos durante os confrontos.

Esses estandartes, conhecidos como colours, funcionavam como referências visuais para orientar as tropas e identificar seus respectivos grupos. “Para garantir que todos os soldados pudessem reconhecer suas cores, a bandeira era hasteada regularmente ao redor das fileiras”, explicam os museus.

Com o passar do tempo, os símbolos passaram a representar também a identidade e a honra dos regimentos. “As cores de um regimento passaram a ter enorme importância para os soldados em serviço, e a conquista ou perda das cores era vista como um momento decisivo na batalha.”

A prática militar acabou se transformando em uma cerimônia tradicional, preservada ao longo de séculos pela monarquia britânica.

Rei Charles — Foto: GettyImages

Por que o aniversário do rei Charles é comemorado em junho?

Embora o rei Charles III tenha nascido em 14 de novembro, as comemorações públicas de seu aniversário acontecem tradicionalmente em junho

A escolha está relacionada principalmente às condições climáticas da Inglaterra, já que o início do verão europeu oferece maior possibilidade de temperaturas agradáveis e tempo favorável para eventos ao ar livre. A tradição também foi seguida pela rainha Elizabeth II, que nasceu em abril, mas comemorava seu aniversário oficial em junho durante seu reinado de 70 anos.

De acordo com a Divisão da Casa Real, a existência de duas datas de aniversário para o monarca britânico remonta ao reinado de Charles II, que governou entre 1660 e 1685. Em 1748, ficou estabelecido que o desfile militar seria utilizado para celebrar oficialmente o aniversário do soberano.

Posteriormente, durante o reinado de George III, o Trooping the Colour passou a integrar de maneira permanente o calendário anual da monarquia. Agora, séculos depois de sua criação, a tradicional cerimônia enfrenta uma nova transformação.

A redução do efetivo da Polícia Metropolitana e a transferência de parte das funções de segurança para profissionais privados prometem modificar os bastidores do evento, enquanto autoridades militares e policiais discutem como conciliar a proteção da família real e do público com as novas limitações orçamentárias.

FONTE:/vogue/BR

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