De mapa do cérebro a câmara de LED: conheça o spa na Suíça que promete um reset no corpo em busca de longevidade

Uma tendência que tem tomado o universo de bem-estar nos últimos tempos é a recuperação. Basta ver academias com espaços dedicados a banheiras de gelo, sauna e botas de compressão pneumática, terapias que saíram de clínicas especializadas e invadiram os spas com programas voltados para um reset total do corpo. É reflexo de uma sociedade que nunca para, superestimulada por scrollagem infinita, longas horas de trabalho e agendas lotadas. Some a isso a falta de atividade física, e o resultado é um corpo constantemente inflamado e suscetível a doenças à medida que envelhecemos. Foi em Genebra, na Suíça, porém, que conheci no spa Nescens, localizado no hotel La Réserve, uma jornada que busca combater esse tipo de problema. 

Em parceria com uma das clínicas de medicina preventiva mais conceituadas da Suíça, a Nescens, o hotel criou o Nescens Essential Reset, um programa que avalia a saúde de forma integrada para criar estratégias personalizadas para melhora na qualidade de vida a longo prazo. O foco está nos pilares que sustentam a longevidade: sono, alimentação, controle de estresse e constância. Durante cinco dias, o programa faz avaliações completas do corpo. Primeiro, exame de sangue. Depois, monitoração cardíaca com eletrodos. Em seguida, consulta médica com um especialista em longevidade, que já chega com os exames mais recentes do paciente em mãos. Tudo isso acontece em um espaço médico de 150 metros quadrados separado do spa.

A avaliação segue para um teste de VO² máximo, com uma máscara que mede o quanto de oxigênio o corpo consegue transportar durante uma atividade intensa – nesse caso, pedalando numa bicicleta. Depois, medimos a composição corporal em uma balança e, por fim, a medição do sono a partir de um sensor colocado sob o colchão do quarto. Há ainda conversa com nutricionista, sessão com uma neurocientista que faz mapeamento cerebral – captando as atividades do cérebro em diferentes situações para montar um gráfico das áreas mais fortes – e um encontro com um coach de respiração. É essa análise, cujos resultados compõem um índice desenvolvido pela Nescens para medir a capacidade regenerativa do corpo, que serve de base para a programação do restante da semana.

Spa Nescens no hotel La Reserve, em Genebra, na Suíça — Foto: Divulgação

No final desses dias, com o “scan” em mãos, você sai do spa com um plano de ação personalizado de longevidade para os meses seguintes. O objetivo geral do programa, como eles descrevem, é agir antes do surgimento da doença, quando certas funções começam a declinar sem sinais visíveis. É menos sobre manter a forma, fazer exercício ou ganhar músculo (que também importam para a longevidade) e mais sobre obter dados para entender o próprio corpo e tomar decisões mais conscientes ao longo da vida.

Mas, além das atividades clínicas, existe também uma sensação de desconexão. Seja por caminhar pelo spa de roupão a tarde toda, mergulhar na piscina aquecida ou por fazer massagens relaxantes. “A medicina da longevidade, por si só, pode parecer clínica e intimidadora. Um spa, por mais maravilhoso que seja, não é capaz de produzir mudanças fisiológicas duradouras. É a combinação dos dois, sob a orientação de nossa equipe médica, que torna os resultados duradouros”, diz Sophie Levy-Kraemer, diretora de operações do spa Nescens.

Spa Nescens no hotel La Reserve, em Genebra, na Suíça — Foto: Divulgação

Na versão pocket de três dias da qual participei, eu acordava sempre com uma agenda lotada de compromissos entre exames, consultas e tratamentos. Duas atividades me acompanharam diariamente. A primeira era a fotobiomodulação, na qual ficava deitada em uma maca coberta por luz de LED infravermelha que entre os benefícios está a cicatrização de feridas e lesões, controle de inflamações como tendinites e redução de dores nas articulações e músculos, como lombar e joelhos. A outra era a oxigenoterapia hiperbárica (OHB), em que respirava oxigênio puro dentro de uma câmara especial, com pressão três vezes maior do que a do nível do mar, para aumentar a quantidade de oxigênio transportada pelo sangue, combatendo infecções.

Logo cedo, o café era servido no Le Loti, restaurante com vista privilegiada para o Mont Blanc, a montanha mais alta dos Alpes. Já o almoço era no Café Lauren, com uma charmosa varanda dentro do spa. A comida era saborosamente equilibrada: saladas frescas com frutas, como melão e melancia, e queijos. A que mais me surpreendeu foi a de espinafre colhido precocemente, parmesão e trufas, temperada com molho de missô – comi até o último talo, mesmo não sendo a maior fã desse vegetal. Frutos do mar e frango, servidos sempre com um molho especial, faziam parte de um menu sem espaço para a carne vermelha o que, apesar de eu ser boa amante de churrasco, não me fez falta – e me deu esperanças de reduzir de vez o consumo.

No segundo dia, tive a experiência de mapeamento neural, com sensores no couro cabeludo que captaram a atividade elétrica e as conexões do meu sistema nervoso. A partir de dinâmicas como manter os olhos abertos ou fechados e fazer contas de matemática – um momento de verdadeira tensão para quem é de humanas –, foi possível ver, em um gráfico colorido, as áreas do meu cérebro que mais se destacam. Na mesma sessão, vi como a respiração controlada regulariza as ondas cerebrais e ajuda a controlar a emoção, o que foi representado por linhas uniformes e lentas. Aparentemente, eu respiro muito rápido, e isso dificulta minha capacidade de controlar o estresse, por isso, a sessão de desempenho respiratório no dia seguinte foi essencial para eu aprender algumas técnicas de melhora.

A agenda também foi preenchida com encontro com nutricionista, treino de resistência com personal trainer e, claro, muita massagem, incluindo a Signature Better-Aging, que ajuda a drenar o sistema linfático e melhorar a circulação. O resultado é um corpo completamente relaxado, principalmente depois de ouvir, mais de uma vez, como meus ombros estavam tensos – um sinal do estresse acumulado. Além das mãos milagrosas das terapeutas, o grande agente dessa massagem foi o óleo corporal Total Anti-Aging – com vitamina C, óleo de jojoba e óleo de amêndoa doce –, parte da linha de skincare da Nescens.

No fim, os dias na Suíça sem chocolate valeram a pena (mas não vou negar que tive uma pequena degustação no aeroporto, ninguém é de ferro). Saí de lá lembrando, mais do que de qualquer exame ou aparelho, da respiração lenta que aprendi a fazer olhando para as ondas cerebrais na tela: um lembrete simples de que cuidar do corpo, viver bem e viver mais, pode começar com algo tão básico quanto respirar direito.

FONTE:/vogue/BR

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