Casos de Newcastle não influenciam em negociação com UE, diz secretário

Os focos de doença de Newcastle identificada pelo governo em granjas comerciais de Santa Catarina não vão afetar as negociações com a União Europeia para o Brasil voltar a exportar para o bloco.

Embora o estado seja um importante fornecedor de aves no mundo e, antes das restrições, um dos maiores exportadores para a UE, a doença não tem relação com a sanção aplicada pelo bloco europeu.

Segundo o secretário da SCRI (Secretaria de Comércio e Relações Internacionais) do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Augusto Billi, a UE normalmente restringe apenas a área afetada pela doença.

“A Newcastle, terminando os focos, terminam as restrições [dos países]. Normalmente, a UE restringe só a área restrita para Newcastle. Portanto, não mudam as questões relacionadas aos antimicrobianos”, afirmou à reportagem.

Ainda assim, o impacto econômico pode ser relevante aos produtores do estado. Segundo dados do Agrostat (Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro) do Mapa, o estado exportou para a UE em 2025 55.501 toneladas de aves com movimentação financeira em US$ 223.629, ficando apenas atrás do estado de São Paulo.

Até o momento, o governo brasileiro registrou três granjas comerciais em Santa Catarina que tiveram casos confirmados de doença de Newcastle em aves. O primeiro foco foi confirmado em 18 de outubro, no município de Nova Itaberaba, em um criadouro de perus. O segundo caso foi registrado em 24 de outubro, em Coronel Freitas, e o terceiro foi anunciado nesta terça-feira (28) em um estabelecimento avícola de Nova Erechim.

Em todos os locais medidas zoossanitárias como investigação epidemiológica, vigilância e medidas de contenção da doença foram aplicadas.

Os casos acontecem ao mesmo tempo em que a União Europeia discute se o Brasil vai retornar a lista de países aptos a fornecer aves para o bloco. A decisão, que serve para todos os tipos de carnes e produtos de origem animal, foi tomada pelo bloco em maio deste ano e passou a valer em setembro.

Mesmo assim, o bloco europeu enviou uma comitiva técnica para auditar estabelecimentos de aves e de mel do Brasil e comprovar a não utilização de antimicrobianos nesses criadouros.

Esse tipo de medicamento é utilizado em diversas nações para acelerar o crescimento dos animais para abate. No entanto, a UE proíbe o uso do insumo na pecuária, tanto nos países do bloco quanto nos fornecedores, a fim de evitar o surgimento de “superbactérias” que podem ameaçar a saúde pública. O argumento se baseia no entendimento da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre o assunto.

A auditoria dos europeus no Brasil foi considerada satisfatória e comprovou que a produção de aves e mel no país não utiliza o medicamento.

Na semana passada, o SCoPAFF (Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações) da Comissão Europeia se reuniu para analisar a auditoria da UE realizada no Brasil. Segundo Augusto Billi, o tema foi apreciado, mas apenas no encontro de novembro os membros do colegiado irão definir se o país vai voltar à lista ou não.

A expectativa do governo brasileiro é que o comitê aprove e que já se retome as exportações em dezembro. No entanto, a relistagem ainda depende da formalização e publicação da decisão pelas autoridades europeias.

https://www.facebook.com/cnnbrasil/videos/minist%C3%A9rio-da-agricultura-confirma-terceiro-foco-de-newcastle-em-sc-cnn-agro-new/1924052979030868/

 

FONTE:CNN/BR

Related Articles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Stay Connected

0FãsCurtir
0SeguidoresSeguir
0InscritosInscrever
- Advertisement -spot_img

Latest Articles