Décadas após se consagrar como uma das maiores estrelas de Hollywood, Elizabeth Taylor continua sendo lembrada não apenas por sua trajetória no cinema, mas também por sua generosidade e compromisso com causas humanitárias. Em entrevista à revista PEOPLE, Trip Haenisch, amigo da atriz, revelou detalhes de uma decisão tomada pela artista durante o processo de adoção de sua filha mais nova, Maria, no início dos anos 1960.
Segundo Haenisch, a protagonista de Cleópatra surpreendeu os responsáveis pela agência de adoção ao recusar a possibilidade de receber uma criança considerada fisicamente saudável. Na ocasião, Taylor fez questão de escolher uma bebê que havia nascido com uma condição congênita. “Eles queriam dar a ela um bebê perfeito. E ela disse: ‘Não, eu quero este bebê’”, relembrou o amigo.
A criança escolhida era Maria, nascida em 8 de janeiro de 1961. De acordo com informações da ABC News, a menina apresentava uma deformidade congênita no quadril e precisou passar por quase 20 procedimentos cirúrgicos para corrigir o problema.
A adoção aconteceu pouco antes do primeiro casamento de Elizabeth Taylor com Richard Burton, que também adotou Maria. Para Haenisch, a atitude da atriz demonstrava que sua concepção de família estava diretamente relacionada ao amor incondicional, independentemente das condições físicas ou das dificuldades enfrentadas pelos filhos.
Ao contrário da mãe, Maria sempre preferiu manter distância dos holofotes, embora tenha realizado alguns trabalhos como modelo. Ela se casou com Steve Carson, com quem teve uma filha, Elizabeth “Eliza” Carson, nascida em 1982. Após o fim do relacionamento, contraiu matrimônio com Thomas McKeown, pai de seu filho Richard McKeown. A segunda união também terminou em divórcio.
Apesar da discrição de Maria, sua filha Eliza passou a atuar ativamente na Fundação Elizabeth Taylor para a AIDS, dando continuidade a uma das causas mais importantes defendidas pela avó.
Elizabeth Taylor também marcou a luta contra a AIDS
Durante a entrevista, Trip Haenisch também destacou o papel fundamental de Elizabeth Taylor no combate ao preconceito enfrentado por pessoas diagnosticadas com HIV e AIDS, especialmente em uma época em que a doença era cercada de desinformação e discriminação.
Um dos episódios mais marcantes envolveu o ator Rock Hudson, amigo próximo da artista, que morreu em 1985, aos 59 anos, em decorrência de complicações relacionadas à AIDS.
“Mesmo com Rock Hudson, quando Hollywood se voltou contra ele, ela disse: ‘De jeito nenhum’. Isso é o que a tornava tão incrível – seu coração, sua bondade”, afirmou Haenisch.
Taylor soube publicamente do diagnóstico de Hudson poucos meses antes da morte do ator. A situação despertou na estrela a necessidade de se posicionar contra o preconceito e utilizar sua influência para ampliar a conscientização sobre a doença.
No documentário Elizabeth Taylor: Rebel Superstar, lançado em 2024, uma gravação de arquivo mostrou a atriz explicando os motivos que a levaram a assumir uma postura tão ativa na defesa da comunidade LGBTQIA+.
“Passei a vida inteira com homens gays. Jimmy Dean, Rock Hudson, que eram meus amigos mais próximos. Eram as pessoas que eu amava, e de repente os gays deixaram de ser seres humanos e passaram a ser vistos como inimigos. Eu sabia que alguém precisava fazer alguma coisa”, declarou.
A artista também recordou uma visita ao hospital onde Hudson estava internado. Mesmo diante da gravidade do estado de saúde do amigo, os dois conseguiram compartilhar lembranças e momentos de descontração. “Eu fui vê-lo e nós rimos dos nossos martinis de chocolate. Sabe, ele tinha momentos em que era um jovem despreocupado, mas deitado naquele hospital, ele era um esqueleto”, contou.
A última visita, entretanto, foi especialmente dolorosa para Taylor. A atriz revelou que esteve com Hudson apenas um dia antes de sua morte e que, naquele momento, ele já não conseguia reconhecê-la. “Eu sabia que Rock não tinha chances. Vi Rock um dia antes de ele morrer”, relembrou.
No dia seguinte, Elizabeth recebeu a notícia da morte do amigo, um acontecimento que provocou grande repercussão na indústria cinematográfica e contribuiu para ampliar o debate sobre a epidemia de AIDS.
“As pessoas ficaram chocadas. Foi como se a cidade, Hollywood, tivesse se dado conta de que um dos seus havia sido atingido”, afirmou.
A experiência fortaleceu o envolvimento de Taylor com a causa, que se tornaria uma das principais bandeiras de sua vida fora das telas. Sua atuação ajudou a combater o estigma associado à doença e consolidou um legado humanitário que permanece vivo mesmo após sua morte, em março de 2011, aos 79 anos.
FONTE:/vogue/BR



