Ao retirar os racks do teto, adotar as calotas de 15 polegadas e aproximar a carroceria do solo, a Renault não só cortou custos para criar uma versão de entrada. O Kardian Vibe assume, visual e dinamicamente, sua verdadeira identidade: a de um hatchback compacto moderno.
Ao abrir mão da pose de SUV, o modelo ganha em agilidade e propósito e entrega uma experiência ao volante que surpreende pelo conjunto mecânico oferecido abaixo da barreira dos R$ 100 mil.
Dizer que um carro ficou 43 kg mais leve pode parecer um detalhe abstrato na ficha técnica, mas a diferença é perceptível. A redução de massa, aliada à menor área frontal e ao centro de gravidade ligeiramente rebaixado, deixa o Kardian mais arisco nas mudanças de direção do que suas versões automáticas mais altas, mesmo que levemente.
Mecânica do Vibe
Renault Kardian Vibe • Divulgação / Renault
Sob o capô, o motor 1.0 TCe (turbo) de três cilindros mantém os 125 cv de potência e os interessantes 220 Nm de torque (o maior da categoria). Na prática, o comportamento do turbo entrega uma dinâmica muito particular. O fôlego máximo do motor se concentra nitidamente na faixa entre 3.000 e 5.000 rpm. Essa patada intermediária muito bem definida dá um comportamento de certo modo caricato e divertido à tocada do pequeno hatch, garantindo ultrapassagens e retomadas sem hesitação, algo raro de se ver nessa faixa de preço e categoria.
O câmbio manual de seis marchas tem engates fáceis e diretos. As três primeiras marchas curtas aproveitam bastante o torque nas saídas de semáforos e subidas. É um conjunto bastante amigável, convidativo e sem muita complexidade, servindo até como uma excelente porta de entrada para motoristas menos experientes ou inseguros com o manual.
Mesmo com essa personalidade mais mecânica e sensorial, obviamente, não se deve esperar o comportamento de um esportivo purista. O Vibe é claramente uma versão de entrada de um compacto urbano 1.0, é partindo dessa perspectiva que ele se torna uma alternativa mais dinâmica.
Interior e construção
Renault Kardian Vibe • Divulgação / Renault
Por dentro, o Kardian Vibe reflete a proposta de ser a opção de entrada da linha, optando por materiais simples e rígidos no painel. No entanto, a solidez da montagem, o projeto e o espaço interno deixam clara a diferença de posicionamento em relação a modelos como o, também da francesa, Renault Kwid. O carro passa a firmeza necessária para enfrentar o asfalto castigado, mas ainda em pé de normalidade quanto à expectativa de tratamento da cabine de um modelo de entrada.
Os detalhes em tom azul nos bancos e no painel dão alguma personalidade à cabine, que preserva bons trunfos de ergonomia e espaço:
Habitabilidade: os 2,6 metros de entre-eixos garantem espaço honesto para quem viaja no banco traseiro.
Porta-malas: os 410 L de capacidade continuam liderando o segmento.
Equipamentos: ar-condicionado digital automático, seis airbags e central multimídia de 8 polegadas (menor que a multimídia de 10,1″ das versões mais caras) com espelhamento sem fio mantêm o nível de conforto para o uso diário.
Onde se encaixa o Kardian Vibe?
Renault Kardian Vibe • Divulgação / Renault
Com a etiqueta de R$ 99.990, o Kardian Vibe ocupa um espaço isolado no mercado nacional. Ele é atualmente o único automóvel zero km com motorização turbo vendido abaixo dos seis dígitos no Brasil.
Seus concorrentes diretos na faixa de preço (de 95 a 105 mil reais), como versões de entrada do Volkswagen Polo, Hyundai HB20 ou Fiat Argo, entregam motores aspirados ou conjuntos turbo com entrega reduzida de torque e potência, além de câmbios de cinco marchas. Já as opções de SUVs compactos automatizados, como o Fiat Pulse ou o próprio Kardian Evolution CVT, ultrapassam a margem de R$ 110 mil a R$ 115 mil.
Cerca de 12,5 trilhões de toneladas de gelo foram derretidas na Antártica e na Groenlândia em menos de 50 anos. A quantidade de gelo derretida entre 1979 e 2023 equivale hipoteticamente a uma camada de aproximadamente 1,5 metro de água congelada cobrindo toda a área continental dos Estados Unidos.
Pesquisadores analisaram o acontecimento e indicam que a perda de gelo não acontece somente pelo aumento da temperatura do ar, mas também com águas mais quentes entrando em contato com o gelo, o que provoca o derretimento pelas laterais e por baixo.
Esse fator está em cinco sextos da redução da massa das calotas polares, o que gera o desprendimento de geleiras que avançam em direção ao oceano. A pesquisa que reuniu dados do derretimento em 44 anos, publicada na revista Scientific Data e que é possível de ler aqui, reuniu as observações através de satélites.
Pesquisa via satélite
A pesquisa registrou que, desde 1979, o derretimento causou, aproximadamente, 3,1 centímetros de elevação do mar. De acordo com um dos autores do estudo e cientista especializado em gelo pela Universidade de Northumbria, Ines Otosaka, para cada centímetros de aumento do nível do mar, 2 milhões à 3 milhões de pessoas podem passar a enfrentar inundações pelo menos uma vez por ano.
A análise foi realizada a partir de 45 levantamentos independentes realizados a partir de diversas missões espaciais e de 27 satélites, incluindo satélites da Nasa. Esse material mostrou não apenas a perda de gelo, mas também sua mudança ao longo do tempo.
Os pesquisadores identificaram que durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, as calotas estavam, relativamente, estáveis. Porém, durante a década de 2010, houve um aumento intenso.
Entre 2020 e 2023, os dados mostraram uma estabilização mas, segundo os pesquisadores, não é a representatividade de uma mudança de longo prazo, pois variações climáticas de curto prazo podem ter relação com essa redução.
Os cientistas apontam que, na Antártica essa variação está relacionada à quantidade de neve que caiu na região. Na Groenlândia, a geleira Jakobshavn, uma das maiores produtoras de icebergs da região, tem o recuo de até 50 metros por dia, de acordo com a pesquisa.
Os pesquisadores ressaltam que a perda de gelo nesses locais não é o único motivo do aumento dos níveis dos oceanos, pois a expansão térmica da água e o derretimento de outras geleiras também interferem.
“A vida é um desafio constante”, e Conceição Evaristo sabe disso muito bem. Aos 79 anos, a escritora que cunhou o conceito de escrevivência se lança em outra linguagem e estreia como atriz de cinema em “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, do cineasta mineiro André Novais Oliveira. No filme, ela dá vida a Jacira já na maturidade, ao lado de Norberto Novais Oliveira, pai do diretor, que interpreta Gilberto. O longa abre nesta terça-feira (22.09) a 20ª CineBH, em Belo Horizonte, e é na mesma noite que Conceição recebe o Troféu Horizonte.
O filme acompanha o casal de Contagem ao longo de cinco décadas. Na juventude, ambientada nos anos 1970, os personagens ganham os rostos de Jean Paulo Campos e de Tainá Evaristo, sobrinha da escritora. É uma narrativa de cumplicidade e longevidade que ainda não é comum no audiovisual brasileiro, habituado a retratar a vivência negra quase exclusivamente pelo recorte da dor. Em entrevista exclusiva à Vogue Brasil, Conceição diz: “A nossa vida, a vida da comunidade negra, ela não é formada só de dores, de desencontros, de traição, de fome, de miséria, somente de aspectos dolorosos. Não é só tristeza que compõem a nossa vida”.
Para ela, viver a rotina de Jacira trouxe um eco familiar e a levou a pensar em outras formas de contar essas histórias. “Construir e vivenciar a narrativa de afeto concebida por André me fez lembrar de momentos de afetos, de momentos de cumplicidade vividos dentro da minha própria família. E me fez pensar também que é preciso encontrar novas formas, outras formas de pensar e de conceber as nossas histórias.”
Dizer sim ao papel foi mais um passo em uma caminhada inteiramente marcada por romper barreiras. Antes de se consolidar com clássicos como Ponciá Vicêncio, Becos da Memória e Olhos d’Água, Conceição deixou Belo Horizonte na década de 1970 para “tentar a vida” no Rio de Janeiro e “começar a vida sem nada”. Na nova cidade, equilibrou a rotina exaustiva do trabalho e dos estudos acadêmicos com os cuidados dedicados à filha, Ainá. Foi também ali que viveu sua própria história de amor com o marido, Oswaldo Santos de Brito. Toda essa bagagem afetiva entrou na engrenagem para dar vida à personagem. No set, longe de qualquer vaidade intelectual, ela conta que se deixou contagiar pelo frescor da equipe: “Gosto muito de trabalhar com as pessoas jovens”. Sobre o desafio de pisar em um território desconhecido, ela resume com leveza: “só tinha de aprender, só isso”.
Sem a palavra escrita como ferramenta principal, ela diz não saber se comunicou toda a densidade com um corpo que pode produzir sentidos, mas acredita que “o corpo, um gesto, ele contém mil mensagens”. Essa capacidade de traduzir com o corpo o que se sente, conta, aprendeu com a oralidade, em que a fala se faz também de gestos, de expressões e de silêncios. Determinadas afirmações, explica, não são construídas só verbalmente: “o corpo diz, o corpo afirma, o corpo nega”. Por isso, a vivência com a oralidade pode tê-la preparado para viver “a densidade de um corpo falante para além das palavras”.
Antes de chegar a Belo Horizonte, o longa passou pelo Festival de Berlim e levou o Troféu Candango de melhor longa-metragem no Festival de Brasília, com menção honrosa para Conceição e Norberto. Na capital mineira, a homenagem a coloca diante da cidade natal por um novo ângulo. Ela diz sentir gratidão à vida “por poder olhar Belo Horizonte de um outro lugar” e chama a cidade de “a minha geografia afetiva”. Sobre a noite que reúne a estreia do primeiro filme e o Troféu Horizonte, afirma: “um horizonte nunca vislumbrado anteriormente por mim se abriu em meus dias acumulados de tempo de vida e de tanta vida, e me fazendo desejar mais e mais”.
No longa, Conceicão Evaristo vive Jacira e Norberto Novais Oliveira dá vida a Gilberto — Foto: Divulgação
Sem a palavra escrita como ferramenta principal, ela diz não saber se comunicou toda a densidade com um corpo que pode produzir sentidos, mas acredita que “o corpo, um gesto, ele contém mil mensagens”. Essa capacidade de traduzir com o corpo o que se sente, conta, também aprendeu com a oralidade: “A oralidade, com os seus gestos, com as suas expressões, com os seus silêncios, produz uma fala que se inscreve pelo gesto-corpo”.
O filme mistura os tempos, e a ideia combina com o modo como ela pensa a ficção. Para Conceição, o tempo da ficção “é embaralhado com o tempo da vida”, e “o tempo da memória se torna também o tempo do vivido”. “O que a gente desconhece, a gente inventa. Inventa com tal força que essa invenção que nós criamos para nós mesmos, ela se torna verdade”, diz.
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Vogue: Aos 79 anos, você estreia como atriz de cinema. O que te fez topar esse convite?
Conceição Evaristo: A vida é um desafio constante, e quem é pobre, quem experimentou a carência material, quem experimentou, por exemplo, deixar sua cidade natal, ir para um outro lugar, como eu vim para o Rio de Janeiro, tentar a vida, começar a vida sem nada, cuidar de uma filha com a saúde tão fragilizada como era a Ainá, ficar tendo de trabalhar, cuidar do tratamento da menina e ainda buscar estudar, tudo é desafio. E um desafio tão bom, tão confortante, um convite tão generoso, agradável, sem sombra de dúvida desafiador, um convite inusitado. Aceitar também foi uma forma de me certificar eu mesma de minha coragem e também coroar a minha maioridade que já estava avançando naquele momento.
Vogue: O filme mostra a cumplicidade e a longevidade do amor de Jacira e Gilberto. Como foi viver essa narrativa de afeto no cotidiano da sua personagem?
Conceição Evaristo: Primeiro, porque acreditei na história. A nossa vida, a vida da comunidade negra, não é formada só de dores, de desencontros, de traição, de fome, de miséria, somente de aspectos dolorosos. Não é só tristeza que compõem a nossa vida. Construir e vivenciar a narrativa de afeto concebida por André me fez lembrar de momentos de afetos, de momentos de cumplicidade vividos dentro da minha própria família. E me fez pensar também que é preciso encontrar novas formas, outras formas de pensar e de conceber as nossas histórias. E também porque eu vivi na prática, na minha história pessoal, uma história de amor para contar. Eu vivi com o pai da minha filha, com o homem que eu escolhi para viver. Sem sombra de dúvida, também é uma história de amor, uma história que eu optei por casar e optei de fazer daquele homem o pai de minha filha. Oswaldo Santos de Brito surge na minha vida quando eu vim para o Rio de Janeiro, aliás, quando eu já estava no Rio de Janeiro. Foi um dos momentos que a vida também foi benéfica comigo, me possibilitando construir uma história de amor.
Vogue: Sua literatura é conhecida por dar peso e silêncio a cada palavra através da “escrevivência”. Como foi comunicar essa mesma densidade através do corpo e das expressões, sem ter a palavra escrita como sua ferramenta principal?
Conceição Evaristo: Não sei se eu comuniquei toda a densidade com um corpo que pode produzir sentidos, ou que produz sentidos independente da fala, independente do que esse corpo diz por palavras. Eu sei que me esforcei muito, e também porque eu acredito que o corpo, um gesto, ele contém mil mensagens. E pensando agora, eu digo que essa capacidade de traduzir com esse corpo o que se quer dizer, o que se sente, eu também aprendi com a oralidade. Porque se você observa, se você escuta determinadas palavras ou determinadas construções, determinadas respostas ou determinadas afirmações, elas não são construídas só verbalmente, o corpo diz, o corpo afirma, o corpo nega. Então eu digo que a vivência com a oralidade também pode me ter preparado para viver a densidade de um corpo falante para além das palavras. A oralidade, com os seus gestos, com as suas expressões, com os seus silêncios, produz uma fala que se inscreve pelo gesto-corpo. A oralidade também me ensinou isto.
Vogue: Existe uma cena ou um gesto de Jacira que você ainda carrega depois das filmagens?
Conceição Evaristo: Sim, é aquela cena em que Jacira recusa ir para o hospital, recusa aceitar, negando para si mesma e para a filha, para Gilberto, afirmando que ela estava bem. Pra mim, é um momento em que Jacira nega a fragilidade. É como se ela tivesse de estar forte, como se não pudesse adoecer. Isso me marca muito porque é um comportamento muito comum nas mulheres, especificamente nas mulheres negras. Não é o caso de Jacira, ela não era o esteio econômico da família. Mas talvez é o esteio afetivo, o esteio emocional. Então ela não podia adoecer, não podia deixar que os seus percebessem que estivesse fragilizada. Esse momento me marca muito.
Vogue: Você estreou no cinema cercada por uma geração jovem de cineastas. Como foi ocupar o lugar de quem está aprendendo uma nova linguagem?
Conceição Evaristo: Gosto muito de trabalhar com as pessoas jovens. Não só o desejo de inovação que as pessoas jovens apresentam, mas a capacidade de inovar dos jovens me conclama ao movimento. O fato também de eu não entender nada de cinema e ter sido colocada no mundo, que eu só tinha de aprender, só isso. Então eu aprendi várias coisas, observei, indaguei várias coisas, me entusiasmou, me deixou muito curiosa, é o processo de simular uma cena, de compor uma cena a partir de pequenos detalhes, de modo que a cena crie uma veracidade. Uma cena que me chamou muita atenção nesse sentido foi a cena em que Jacira tinha de tomar um banho.
Como essa cena foi composta, criou-se uma calça comprida da cor de meu corpo, eu entrei para debaixo do chuveiro só com os ombros desnudos. Quer dizer, quem vê essa cena não percebe todo um trabalho. Inclusive um trabalho artesanal mesmo que existe para dar uma veracidade a essa cena. Para mim, foi um momento de aprendizado muito grande. Observar como se monta um cenário, como se capta um gesto, como dissimula um movimento na cama, como se copia, como se inventa um corpo movimentando no ar. Aos quase 80 anos, vivenciar a arte do cinema é estar o tempo todo em novas aprendizagens.
Vogue: Em Ponciá Vicêncio, a história não segue a linha do tempo, e a protagonista vai e volta entre a infância e a vida na cidade pela memória. Agora o filme cobre cinco décadas e flerta com a ficção científica. Fazer esse filme mudou a sua percepção sobre o tempo na ficção?
Conceição Evaristo: Sim, o tempo da ficção, ao meu ver, é embaralhado com o tempo da vida. E como o tempo da vida também é o tempo da memória, tudo se mistura na vida humana. O que nós captamos como um tempo cronológico, o tempo da memória não é. Eu posso instantaneamente relembrar algo que eu já vivi em minha infância a partir do que estou vivendo agora. E o que eu estou vivendo agora pode me jogar para um movimento de relembrança de um tempo tão longínquo que o meu ato de rememorar acaba confundindo com o exato tempo que eu posso estar vivendo no momento.
Cronologicamente, a gente pensa o tempo da criança, o tempo da juventude, o tempo da maturidade, o tempo da velhice. A nossa concepção de vida nos leva a isso. Mas esses tempos misturados, essas recordações, essa confusão mesmo entre o presente e o passado, o desejo de uma continuidade que sempre nos aponta para o futuro, nada disso é estanque, nada disso é medido ou separado de uma maneira literal. E o que a gente desconhece, eu acho isso também um trabalho interessante da memória, a gente inventa. Inventa com tal força que essa invenção que nós criamos para nós mesmos se torna verdade. O tempo da memória se torna também o tempo do vivido.
Eu gosto de explorar esse tempo misturado, do ir e vir em narrativas. Acho que a história de “Ponciá Vicêncio” traz muito bem esse tempo misturado. E pensar também o estado emocional de Gilberto depois do acontecido com Jacira. Para Gilberto, o que seria aquele tempo? Seria um tempo de dor, sem sombra de dúvida. Mas é um tempo que ele recria também de outra forma. Jacira não se localiza, me parece, no passado. Para Gilberto, ela se localiza no presente e ele busca um tempo em que ele vai reencontrar essa presença de Jacira. Qual seria esse tempo de Gilberto? Um tempo que está mesclado, Jacira passado, Jacira presente, Jacira, no desejo de reencontrar.
É pensar essa inconstância, essa impossibilidade de medir um tempo e de repartir esse tempo em vários tempos. Esse tempo que você não agarra, mas que também você não perde. Talvez o filme aponte para uma ficção científica. Eu não pensaria numa ficção científica, eu pensaria ainda em um tempo incompreensível, que é o tempo da vida e da morte, um tempo sempre renovado também.
Vogue: Belo Horizonte te recebe com o Troféu Horizonte na noite em que o filme abre a CineBH. Que gosto tem ser celebrada em casa por uma arte nova na sua trajetória?
Conceição Evaristo: Tem um gosto de gratidão à vida por poder olhar Belo Horizonte de um outro lugar e viver um novo horizonte, totalmente diferente do que eu vivi até agora. BH já me ofereceu vários momentos diferentes, da minha infância, da minha juventude. De certa forma, eu tinha a sensação de que Belo Horizonte havia me expulsado do seu seio. Mesmo depois que eu vim para o Rio de Janeiro e fiz concurso para professora, ainda foi um tempo muito difícil. Quando eu voltava a Belo Horizonte, voltava querendo ficar, ou precisando voltar para o Rio, porque lá estava a minha possibilidade de trabalho, de estudos e, mais tarde, até a minha possibilidade amorosa.
Quando saí de Belo Horizonte, saí sem nada, sem dinheiro inclusive para custear uma passagem. As minhas primeiras vindas para o Rio de Janeiro foram nos tempos em que havia uma cultura de carona. Bastava um pedido, um aceno com o polegar direito indicando um caminho à frente. Se o dono ou a dona do volante entendesse, o seu polegar lhe abria caminhos, lhe abria estradas. Isso aconteceu comigo várias vezes, até eu fazer o meu concurso para o magistério.
Anos e anos depois, as minhas idas a Belo Horizonte ainda aconteciam dentro de uma carência, de uma escassez, tudo muito contadinho para chegar, para repartir com a família e para voltar. Hoje vivo Belo Horizonte numa situação totalmente diferente, e não tenho nenhuma sombra de dúvidas que foi a literatura que me produziu essa outra recepção, um outro olhar meu sobre Belo Horizonte e um outro olhar de Belo Horizonte sobre mim. Eu venho vivendo esse tempo de louvores à vida por me permitir tanto e me deixar que a cidade me experimente de uma outra forma e que eu também experimente esse espaço que significa tanto para mim, que é a minha geografia afetiva, a minha geografia de pertença.
E hoje, receber o prêmio, a homenagem Horizonte, por um feito que eu nunca imaginei fazer, que eu nunca nem ficcionalizei estar como personagem de um filme, digo que um horizonte nunca vislumbrado anteriormente por mim se abriu em meus dias acumulados de tempo de vida e de tanta vida, me fazendo desejar mais e mais, e agradecendo a Belo Horizonte por me oferecer tanto.
Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) voltaram a citar adversários ausentes e fizeram críticas a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial promovido pelo Flow nesta segunda-feira (21). Os três também apresentaram propostas para áreas como segurança pública, políticas sociais, economia, saúde e educação.
Sem a presença dos líderes das pesquisas, os candidatos aproveitaram diferentes momentos do encontro para questionar a decisão dos dois de não participar do debate. O episódio também foi usado como argumento para se apresentar como alternativa na disputa presidencial.
A ausência dos dois principais candidatos já havia marcado o debate realizado pela Band, em agosto. Na ocasião, porém, Lula e Flávio permaneceram no centro das discussões entre os participantes, mesmo sem comparecer ao estúdio. No encontro desta segunda, houve mais espaço para a apresentação de propostas e também divergências entre os três candidatos presentes.
Logo no início, Zema criticou a ausência dos adversários e defendeu que o horário eleitoral gratuito seja utilizado para a realização de debates entre os candidatos. “Eu tenho uma proposta. Como eu estou vendo, tem gente que vai e tem gente que não vai. Eu quero que o horário eleitoral gratuito, em vez de ser baboseira, seja utilizado para fazer debates”, afirmou.
Caiado também criticou os candidatos que não comparecem aos encontros. Segundo ele, o eleitor pode acabar tendo que escolher entre apenas dois nomes. “Eles se sentem no direito de se omitirem. O cidadão não está pensando em si e no Brasil”, disse.
Cury afirmou que os candidatos ausentes são “covardes de certa maneira” e criticou a lógica de votar no “menos pior”. O candidato também voltou a defender que pretende governar tanto para a direita quanto para a esquerda.
Críticas a Lula e Flávio
Ao longo do debate, Lula e Flávio foram citados em diferentes momentos, especialmente nas discussões sobre economia e corrupção. As acusações contra Flávio por envolvimento no caso Master, e as contra o filho e o ex-chefe de gabinete de Lula foram lembradas reiteradamente.
Cury criticou o modelo econômico do governo Lula e afirmou que o presidente “nunca plantou uma horta” para definir os rumos da agricultura. Ao mencionar Flávio Bolsonaro, disse que o senador “montou uma loja de chocolate” em que “há muita coisa para ser explicada”.
Zema também fez críticas ao governo Lula. Ao discutir políticas sociais, afirmou que o brasileiro está “apertado” por causa da política econômica, dos juros e das apostas esportivas. “O Lula é o pai da pobreza; ele quer que todo mundo continue na miséria, dependendo de Bolsa Família. O Lula tira a esperança e a perspectiva de futuro”, afirmou.
O candidato do Novo também mencionou o caso Master durante uma discussão sobre corrupção. “Precisamos de instituições funcionando adequadamente, cadeia para ministro, fiscal do BC, presidente de partido, mandar para a cadeia essas autoridades, esses intocáveis”, disse.
Segurança pública domina debate
A segurança pública foi um dos principais temas do encontro e gerou uma das principais divergências entre Caiado e Cury.
Zema defendeu o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas e afirmou que pretende buscar apoio internacional para combater o crime organizado. “A grande ameaça à soberania do Brasil se chama facções criminosas, e não outro país”, declarou.
Cury defendeu a integração das forças policiais e o endurecimento contra organizações criminosas. O candidato afirmou que o Estado brasileiro é desorganizado na área de segurança e defendeu melhores salários e uso de tecnologia.
Na resposta, Caiado questionou a experiência de Cury na área. “A diferença é que o Cury nunca enfrentou o crime e não tem coragem de enfrentá-lo”, afirmou.
Caiado citou sua experiência como governador de Goiás e disse que a integração das forças de segurança precisa ser comandada pelo presidente da República. “A experiência vale muito; na parte prática, sou eu. Segurança Pública é o que vai tirar o jovem da mão do narcotráfico”, afirmou.
Mulheres e políticas sociais
Na discussão sobre políticas para mulheres, Zema defendeu a ampliação de serviços de atendimento a vítimas de violência e afirmou que pretende aumentar o número de delegacias especializadas. Também citou medidas como tornozeleira eletrônica para agressores e restrições à posse de armas.
Caiado citou uma parceria implementada em Goiás para levar atendimento e serviços de saúde a diferentes regiões do estado. Segundo o candidato, o aparato permanecia por alguns dias em cada localidade para realizar exames e outros atendimentos necessários. Ao defender a proposta, ele afirmou que a iniciativa ampliou o acesso das mulheres aos serviços e deu “outra dignidade” a elas.
Na economia, Cury defendeu redução da carga tributária, mudanças no BNDES e estímulo ao empreendedorismo. Caiado, por sua vez, destacou a experiência administrativa em Goiás e afirmou que equilíbrio fiscal e políticas sociais podem coexistir. “Conheço bem essa vida porque peguei Goiás quebrado. O equilíbrio fiscal não briga com as políticas sociais”, afirmou.
Disputa por espaço na reta final
Nas considerações finais, os três candidatos voltaram a se apresentar como alternativas aos dois nomes que lideram a disputa.
Cury afirmou que não pretende escolher entre direita e esquerda e voltou a defender a pacificação do país. “Coloquei-me como candidato para governar para os dois; quero governar tanto para a direita quanto para a esquerda. O Brasil merece paz. Vamos nos unir”, afirmou.
Zema aproveitou o espaço para defender sua atuação no Novo e criticar o STF (Supremo Tribunal Federal), citando a sessão recente em que um ministro da Corte ficou sujeito a investigação.
Já Caiado direcionou sua fala diretamente ao eleitor que considera votar em Flávio Bolsonaro. “Por que optar por dois candidatos que já chegaram ao máximo de rejeição ao Brasil? A maneira de derrotar o PT é só uma: votar no Caiado”.
O movimento ocorre em meio à tentativa das campanhas de Caiado, Zema e Cury de evitar a concentração de votos em Flávio Bolsonaro na reta final do primeiro turno. As três campanhas acompanham uma ofensiva do PL para atrair eleitores de outros candidatos de direita, segundo interlocutores ouvidos pela CNN.
Um dos nomes procurados pelo Inter para substituir Paulo Pezzolano foi Diego Aguirre. Técnico colorado em 2015 e em 2021, já com Alessandro Barcellos na presidência, o uruguaio não aceitou a oferta. A razão é ter contrato em vigor com o Peñarol.
Aguirre está no clube de Montevidéu desde 2023. Ele foi campeão uruguaio em 2024, além de ter conquistado também o Intermedio de 2025 e a Supercopa de 2026. O Peñarol lidera o torneio anual com 52 pontos, os mesmos do Racing. No Clausura, está na quarta posição, com quatro vitórias, um empate e uma derrota.
O vínculo de Aguirre com o Peñarol vai até dezembro. Ele é um nome com muita ligação com o Inter e com Abel, que foi seu técnico quando atuou como centroavante entre 1988 e 1989.
Com a negativa de Aguirre, segue a busca colorada por um substituto para Pezzolano. Zubeldía e Jair Ventura são alguns dos nomes na pauta.
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Caldo Verde é uma sopa tradicional de Portugal, especialmente associada à região do Minho, no norte do país e que, por razões óbvias, tornou-se popular em diversas regiões do Brasil, principalmente nos períodos mais frios do ano.
Tradicionalmente, o caldo verde português original costuma ser mais leve e menos “pesado” do que muitas versões brasileiras. Em Portugal, a sopa frequentemente é mais fluida, enquanto no Brasil muita gente prefere quase um creme espesso.
Hoje, vamos puxar para a versão original.
Tempo: 90min. Rendimento: 8 porções Dificuldade: M édia
Para esta receita vamos precisar de: 6 batatas grandes 3 litro de água 2 maços de couve 2 cebolas grandes 6 dentes de alho 150g de bacon 3 gomos de linguiça calabresa defumada, linguiça portuguesa ou paio 1 colher de sobremesa de sal Pimenta do reino a gosto Azeite de Oliva (para finalizar)
A base do Caldo Verde
João Felippe
A base do Caldo Verde
Em uma panela grande, 3 litros de água, as batatas, uma cebola grande cortada grosseiramente, três dentes de alho.
Temperos obrigatórios
Temperos obrigatórios
João Felippe
Ainda durante esta primeira etapa da receita, acrescente uma colher de sobremesa de sal, pimenta do reino a gosto e deixe cozinhar tudo por 45 minutos.
Caldo uniforme
João Felippe
Processando o caldo
Depois deste tempo, processe o caldo com um mixer ou até levando para um copo de liquidificador como forma de tornar o líquido bem homogêneo.
Aproveitando os talos da couve
João Felippe
Aproveitamento 100%
Com o auxílio de uma faca, corte os talos das folhas de couve, coloque no copo de um liquidificador com u m pouco do caldo de batatas e processe tudo. Desta forma você aproveita 100% das folhas de couve trazendo também muito mais sabor para seu preparo.
Embutidos
João Felippe
Embutidos
Em outra panela, refogue o bacon por 10 minutos, então acrescente a linguiça cortada em rodelas e refogue por mais 5 ou 10 minutos. Depois transfira para a panela com o caldo de batatas.
Refogado
João Felippe
Refogado
Na mesma panela usada para fritar o bacon e a linguiça, coloque agora uma cebola bem picadinha e três dentes de alho cortados em lascas ou picados. Refogue por 10 minutos até que fiquem caramelados e transfira para a panela com o caldo de batatas.
A Couve
João Felippe
A couve
Higienize as folhas de dois maços de couve, corte bem fininho e incorpore ao preparo somente 5 minutos antes de servir. Isso permitirá manter a textura, a cor e os nutrientes durante o consumo.
Empratamento
João Felippe
Empratamento
Em um prato fundo ou cumbuca, coloque 2 conchas do caldo verde, tempere com uma boa filetada de azeite de oliva extra virgem e se desejar, sirva ainda com torradas ou croutons.
João Felippe
Caldo Verde
Aproveite estes dias mais frios para reunir-se com amigos e familiares em torno da mesa, servindo este delicioso caldo verde que alimenta o corpo, nutre o coração e aquece a alma.
João Felippe é influencer no perfil @olhaqloko no Instagram com mais de 2 milhões de seguidores. Por lá você acompanha mais receitas como esta.