Com o impeachment de Santiago Peña, o Paraguai acumula dois presidentes que foram destituídos pelo Congresso após a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). Em 2012, o Fernando Lugo teve que deixar a presidência após massacre que deixou 11 camponeses e seis policiais mortos a cerca de 250 quilômetros a nordeste de Assunção.
Eleito em 2008, a vitória do “bispo dos pobres” aconteceu em grande parte às suas ações em defesa dos camponeses sem-terra, particularmente através do movimento popular Tekojoja (“vida ou modo de vida igual” ou “viver em igualdade”, em guarani, língua oficial do Paraguai, ao lado do espanhol).
O processo de impeachment durou menos de 36 horas. Embora tenha acatado o veredito, Lugo declarou que considerava o impeachment como um golpe. O vice-presidente Federico Franco assumiu o cargo da presidência do País no mesmo dia da consumação do impeachment.
Queda de Peña
O Senado do Paraguai aprovou, na noite desta sexta-feira 6, o impeachment do presidente Santiago Peña, um desdobramento do escândalo envolvendo o Ueno Bank. Peña apresentou sua renúncia na quinta 5, mas o Legislativo a recusou. Com o impeachment, ele perde o direito de se tornar senador vitalício, uma honraria concedida a todos os ex-presidentes, e fica sem imunidade parlamentar.
Na Câmara, foram 78 votos favoráveis ao impeachment e nenhum contrário. No Senado, o placar foi de 44 a 0.
Trata-se também de mais um baque para a direita sul-americana, menos de duas semanas após a vitória do presidente Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial na maior potência da região.
FONTE: cartacapital



