Netanyahu alega tentativa de roubo na 1ª eleição em Israel desde o ataque do Hamas

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alegou nesta terça-feira 27 uma tentativa de “roubo” nas eleições gerais do país, acusando três integrantes de uma sigla de maioria árabe detidos com dinheiro no sul do território de conspirarem contra o resultado. A comissão eleitoral tratou o episódio como um caso isolado e informou que os suspeitos foram interceptados antes de acessar as seções eleitorais, enquanto a oposição rebateu afirmando que o premiê já fabrica pretextos para invalidar uma eventual derrota nas urnas.

A acusação surge em meio a uma disputa acirrada contra o centrista e ex-comandante militar Gadi Eisenkot, com quem o premiê aparece empatado tecnicamente nas pesquisas. A votação, a primeira desde o ataque do Hamas em 2023, reflete três anos de guerras regionais e provocou uma mobilização popular histórica: a participação chegou a 44,9% na parte da tarde — a mais alta desde 1973 —, atraindo inclusive dezenas de milhares de cidadãos que vivem no exterior e voltaram unicamente para votar.

O clima de instabilidade nas ruas acompanhou a retórica tensa da campanha. Além do episódio dos envelopes apreendidos, a polícia prendeu em Tel Aviv um homem armado com faca que ameaçou o líder opositor de esquerda Yair Golan, incidente que ampliou as críticas contra a conduta agressiva do governo em relação aos adversários políticos.

O pleito converteu-se em um julgamento sobre o longo mandato de Netanyahu. O chefe de governo apoia-se em sua coalizão ultranacionalista e ultraortodoxa, na proximidade com Donald Trump e em sua postura beligerante regional, enquanto enfrenta forte rejeição pelas falhas de segurança e pelo isolamento internacional. Já Eisenkot propõe derrubar o que chama de “o pior governo da história de Israel”, comprometendo-se a abrir uma apuração independente sobre os ataques de 2023 e refrear colonos na Cisjordânia, embora também rejeite a criação de um Estado palestino.

Com o fechamento dos colégios eleitorais previsto para as 22h locais e uma apuração que pode durar dias, a projeção é de um Parlamento fragmentado, sem que nenhum grupo alcance sozinho a maioria de 61 cadeiras. Esse equilíbrio precário deixa os partidos de maioria árabe — que representam 21% da população — em posição potencialmente determinante para definir o próximo governo, a despeito de nenhum dos líderes ter formalizado aliança com essas bancadas.

*Com informações da AFP

FONTE: cartacapital

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