O Flamengo tenta mudar nos tribunais o desfecho da semifinal da Libertadores de 2026, contra o Estudiantes, após contestar a escalação do zagueiro Marcos Rojo. A iniciativa tem precedentes na história da competição: em 2018, a Conmebol alterou o resultado de uma partida do Santos por considerar irregular a utilização do meia Carlos Sánchez. Na mesma temporada, porém, denúncias envolvendo River Plate, San Lorenzo e Boca Juniors tiveram resultados diferentes.
O principal argumento do clube carioca é o artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol, que prevê derrota por 3 a 0 para a equipe considerada responsável por escalar um jogador irregularmente. O Flamengo pede a aplicação da punição ao Estudiantes, que venceu a disputa por pênaltis após empate sem gols no tempo regulamentar, no Maracanã.
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Nos casos de Santos, Deportes Temuco e Barcelona SC, a Conmebol confirmou as irregularidades e manteve as punições, sem que os clubes conseguissem reverter as decisões. O River Plate, por sua vez, não foi punido porque não houve reclamação dentro do prazo regulamentar.
O caso, no entanto, tem uma particularidade: Rojo entrou em campo após obter autorização provisória da Corte Arbitral do Esporte (CAS), embora a Conmebol tivesse rejeitado anteriormente seu pedido de inscrição. A decisão definitiva sobre eventuais consequências esportivas ainda cabe às instâncias competentes.
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Barcelona-EQU foi eliminado da Libertadores após escalação irregular em 2019
Em 2019, o Barcelona de Guayaquil foi punido pela Conmebol após escalar o meio-campista Sebastián Pérez na partida de ida da segunda fase preliminar da Libertadores, contra o Defensor Sporting, do Uruguai. O jogador entrou em campo sem que seu Certificado Internacional de Transferência (CTI) tivesse sido emitido a tempo, o que impedia a regularização de sua inscrição.
Na ocasião, o Barcelona havia vencido o confronto por 2 a 1. Após a reclamação, a Conmebol reconheceu a irregularidade e atribuiu ao Defensor Sporting a vitória por 3 a 0, alterando o resultado da partida.
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O clube equatoriano recorreu da decisão, mas a Câmara de Apelações da Conmebol manteve a punição. Com isso, o Barcelona foi eliminado da competição, enquanto o Defensor Sporting avançou à fase seguinte.
O caso mostra que a falta de regularização documental de um atleta pode levar à alteração do resultado de uma partida e à eliminação de um clube em uma competição continental, mesmo quando a equipe conquistou a vitória dentro de campo.
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Santos foi punido após escalar Carlos Sánchez em 2018
O precedente mais direto para o pedido do Flamengo aconteceu nas oitavas de final da Libertadores de 2018. Na partida de ida, o Santos empatou por 0 a 0 com o Independiente, na Argentina. No dia seguinte, o clube argentino apresentou uma reclamação à Conmebol por causa da escalação de Carlos Sánchez.
O meia uruguaio tinha uma suspensão pendente de uma partida em competições organizadas pela entidade sul-americana. A punição original havia sido aplicada em 2015, quando ele defendia o River Plate, após uma expulsão na Copa Sul-Americana. Uma anistia concedida pela Conmebol em 2016 reduziu a pena, mas Sánchez ainda precisava cumprir um jogo de suspensão.
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Em 28 de agosto de 2018, a entidade acolheu a reclamação do Independiente e transformou o empate em uma vitória argentina por 3 a 0. A decisão se baseou na regra que prevê a alteração do resultado em casos de escalação indevida.
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O Santos tentou reverter a punição, mas não conseguiu evitar a eliminação. No jogo de volta, disputado no Pacaembu, as equipes empataram novamente sem gols, resultado que classificou o Independiente.
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O episódio demonstra que a Conmebol já aplicou a perda de pontos e a alteração do placar por escalação irregular em uma partida da Libertadores. A existência desse precedente, contudo, não garante que o pedido do Flamengo terá o mesmo resultado.
River Plate escapou de punição por erro reconhecido pela Conmebol
Também em 2018, o River Plate utilizou o volante Bruno Zuculini em partidas da Libertadores, apesar de o jogador ter uma suspensão pendente. O caso veio à tona depois que o meio-campista participou de jogos da fase de grupos, inclusive contra o Flamengo.
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Zuculini havia sido expulso em 2013, quando atuava pelo Racing, e recebeu uma punição que foi posteriormente reduzida por anistia. Ainda assim, precisava cumprir dois jogos de suspensão.
A diferença em relação ao episódio do Santos foi que o River consultou oficialmente a Conmebol sobre a situação do atleta e recebeu a informação de que não havia impedimento para escalá-lo. Posteriormente, a entidade reconheceu um erro administrativo e decidiu não punir o clube argentino.
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O Racing contestou a decisão, mas a Conmebol rejeitou o pedido de reconsideração. Zuculini precisou cumprir os jogos de suspensão restantes, sem que os resultados anteriores do River fossem alterados.
O episódio mostra que a análise de uma possível irregularidade também pode considerar a orientação fornecida pela própria organização da competição.
San Lorenzo conseguiu vitória por 3 a 0 após irregularidade do Deportes Temuco em 2018
Ainda em 2018, outra história semelhante. O San Lorenzo, da Argentina, também conseguiu uma vitória por 3 a 0 nos tribunais da Conmebol após contestar a situação do meio-campista Jonathan Requena, escalado pelo Deportes Temuco, do Chile, na Copa Sul-Americana.
A reclamação argentina se baseou no fato de que Requena já havia sido inscrito pelo Defensa y Justicia, também da Argentina, na mesma edição do torneio. O jogador constava na súmula oficial da partida contra o El Nacional, disputada em 18 de julho de 2018, antes de se transferir para o clube chileno.
O regulamento da Conmebol proibia que um atleta fosse inscrito por mais de um clube na mesma edição da competição. A entidade acolheu a reclamação do San Lorenzo e concedeu ao time argentino a vitória por 3 a 0 no confronto de ida.
O Deportes Temuco recorreu da decisão, mas não conseguiu reverter a punição. Na partida de volta, a equipe chilena venceu por 1 a 0, resultado insuficiente para compensar a derrota administrativa e reverter o placar agregado de 3 a 1. Com isso, o San Lorenzo avançou às oitavas de final, e o Temuco foi eliminado.
O episódio reforça que a Conmebol pode alterar o resultado de uma partida quando identifica irregularidades na inscrição de jogadores. Assim como no caso do Barcelona de Guayaquil, a punição foi mantida mesmo após o recurso do clube penalizado.
Boca Juniors também foi alvo de questionamento por Ramón Ábila
Outro caso da mesma temporada envolveu o atacante Ramón Ábila, do Boca Juniors. O jogador tinha uma suspensão pendente decorrente de uma expulsão na Copa Sul-Americana de 2015, quando defendia o Huracán.
Apesar disso, Ábila disputou partidas da Libertadores de 2018 pelo Boca. O Libertad, do Paraguai, adversário eliminado pelos argentinos nas oitavas de final, questionou a situação do atacante e pediu esclarecimentos à Conmebol.
A reclamação, porém, foi apresentada semanas depois dos confrontos. O regulamento previa prazo de até 24 horas após a partida para contestar uma escalação irregular. Por isso, não houve punição esportiva ao Boca nem alteração dos resultados dos jogos.
Caso Marcos Rojo tem uma diferença em relação aos precedentes
A tentativa do Flamengo apresenta semelhanças com o episódio do Santos, mas também possui uma particularidade jurídica relevante.
Antes da semifinal de 2026, a Conmebol rejeitou o pedido do Estudiantes para inscrever Rojo na lista da Libertadores, após consultar a Fifa. O clube argentino recorreu ao CAS e obteve autorização provisória para utilizar o defensor contra o time brasileiro.
A decisão permitiu que o jogador entrasse em campo, mas não afastou eventuais consequências esportivas e disciplinares de uma decisão definitiva desfavorável ao Estudiantes. Segundo o Flamengo, o clube argentino foi informado previamente de que a escalação seria contestada.
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Após a eliminação nos pênaltis, o Rubro-Negro apresentou uma reclamação formal à Conmebol e pediu que o caso fosse analisado antes da final. O clube sustenta que a autorização provisória do CAS não elimina a necessidade de observar as regras de inscrição da competição.
Até que haja uma decisão definitiva, o Estudiantes permanece classificado para a final da Libertadores de 2026, contra o Palmeiras.
FONTE:Google Notícias



