A brasileira Gabriela Ferreira, que vive no Reino Unido há três anos, está enfrentando problemas para exercer seu direito ao voto nas eleições, mesmo tendo feito a transferência de seu título eleitoral no início do ano.
No primeiro turno, a brasileira de 33 anos não conseguiu comparecer ao local de votação, em Londres, na capital inglesa, por questões pessoais. Gabriela se preparou, contudo, para registrar seu voto no domingo 25, até ser surpreendida por uma mudança feita pelo Tribunal Superior Eleitoral e que a deixou cerca de 600km do novo local de votação. A longa distância deve impedir a brasileira de participar do pleito.
“Eu moro em Bath, a sudoeste da Inglaterra, e meu local de votação foi alterado para Edimburgo, na Escócia. Apesar de ser na região do Reino Unido, é outro País. Eu não conseguiria cumprir esse deslocamento dentro da janela de votação, sem contar os custos impraticáveis de avião ou trem”, contou à reportagem de CartaCapital.
A brasileira chegou a contestar a alteração junto ao TSE, via ouvidoria, e foi informada de que sua situação eleitoral só poderia ser revista a partir do dia 3 de novembro. “A sensação é de revolta. Tiraram o meu direito de votar nesse contexto tão desafiador, em que é mais do que necessário registrar meu voto a favor da Ciência, dos direitos das mulheres”, lamentou. No Reino Unido, o presidente Lula (PT) recebeu 57,02% dos votos válidos no primeiro turno; Flávio Bolsonaro (PL) teve 35,41%.
Formalmente, o TSE respondeu à brasileira que, eventualmente, os Tribunais Regionais Eleitorais realizam a mudança de endereço de seções de votação em razão de especificidades relacionadas às condições físicas dos prédios em que funcionam os locais de votação, reorganização da quantidade de eleitores por seção para melhor fluidez do processo de votação, dentre outros fatores.
O caso está sendo acompanhado pela deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP) que enviou um ofício ao Tribunal Superior Eleitoral cobrando providências urgentes para garantir que brasileiros residentes em Londres e em cidades próximas, registrados equivocadamente para votar em Edimburgo, possam exercer o direito ao voto no segundo turno. Segundo a parlamentar, são dezenas de casos.
No documento, encaminhado ao presidente do órgão, o ministro Kássio Nunes Marques, a parlamentar solicita a regularização dos locais de votação, ou que a Justiça Eleitoral organize e custeie o deslocamento dos eleitores até Edimburgo, com transporte adequado e informação acessível. O documento também foi encaminhado ao presidente do TRE-DF e ao cônsul-geral do Brasil em Londres. “A falha exige resposta imediata da Justiça Eleitoral para assegurar o direito ao sufrágio”, reforçou a parlamentar.
FONTE: cartacapital



