Durante uma das últimas reuniões com Karoline Leavitt, então secretária de imprensa da Casa Branca, o presidente Donald Trump lhe apresentou uma ideia. Disse a ela que retirasse os jornalistas da sala de imprensa James S. Brady, o que, na prática, tiraria as organizações de mídia da Casa Branca. Seria, segundo ele, o seu “último legado”.
A proposta nunca avançou enquanto ela estava no cargo. O presidente havia feito o pedido a ela várias vezes ao longo dos meses, segundo três pessoas com conhecimento das discussões que não estavam autorizadas a falar publicamente. Leavitt deixou oficialmente o cargo de secretária de imprensa da Casa Branca em 27 de agosto.
Trump disse a assessores que preferiria reabrir a piscina interna que o presidente Franklin D. Roosevelt instalou em 1933 como parte do tratamento para as pernas afetadas pela poliomielite. O presidente Richard Nixon, posteriormente, cobriu a piscina para abrir espaço à imprensa, em 1970.
Embora a retirada da mídia da Casa Branca possa parecer um debate relativamente pequeno diante dos ataques mais amplos de Trump aos jornalistas, a medida teria um forte caráter simbólico. A proximidade dos jornalistas com a sede do Poder Executivo dos Estados Unidos há muito representa um reconhecimento da importância de uma imprensa livre em uma democracia constitucional.
Trump já havia levantado a ideia de expulsar os jornalistas antes, desde seu primeiro mandato, e nunca chegou a abandoná-la completamente.
Em 27 de setembro, por exemplo, Trump publicou no Truth Social duas imagens mostrando a atual sala de imprensa, com a legenda “Fake News” (notícia falsa), ao lado de outra que apresentava o espaço transformado em uma piscina dourada, com a legenda “FDR Pool” (“Piscina FDR”), as iniciais de Franklin Delano Roosevelt.
O Wall Street Journal informou no mês passado que Trump havia discutido repetidamente a retirada dos jornalistas da Casa Branca e que, até então, seus assessores haviam reagido com resistência ou simplesmente esperado que ele mudasse de assunto.
O que mudou desde o primeiro mandato de Trump —ou mesmo desde o início deste mandato— é a equipe que o cerca. O núcleo mais próximo do presidente encolheu em relação ao grupo, que já era reduzido, que ele levou à Casa Branca no ano passado.
Durante as discussões anteriores, a maioria dos principais assessores de Trump considerava que era melhor para ele manter a imprensa por perto. Mas Trump ficou cada vez mais irritado com a cobertura que recebe, enquanto outros funcionários que ganharam influência passaram a incentivá-lo a adotar medidas drásticas para punir jornalistas.
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