Documentário inédito revisita quatro décadas da trajetória de Paulo Borges, idealizador do SPFW

A trajetória de Paulo Borges é indissociável do São Paulo Fashion Week. Contar a história de um é também narrar a do outro. Essa conexão será explorada na série documental Muito Além da Moda – Paulo Borges a partir desta terça-feira (20.10), no canal E!, e, no dia seguinte, no Universal+.

Dividida em três partes, a produção irá relembrar os primórdios do SPFW. A semana de moda mais importante do Brasil nasceu de um desejo cultivado pelo então jovem de São José do Rio Preto (SP) durante suas viagens a Paris, logo após iniciar a carreira ao lado da lendária Regina Guerreiro, à época diretora da Vogue. “Eu sabia que era desafiador”, reconheceu Paulo à Vogue.

Com uma profunda habilidade de comunicação e ampla capacidade de mobilização, ele conseguiu unir grandes players da indústria, veículos de comunicação e, claro, estilistas em torno de um evento que se consolidaria, mais tarde, como a maior semana de moda da América Latina.

“Eu dizia que a gente iria precisar de muito tempo, porque não bastava apenas criar uma semana de moda, era preciso desenvolver uma cultura de moda com a participação de todos”, explicou.

A série recupera os primeiros desfiles de Conrado Segreto, além de momentos de grande repercussão da fashion week, como a coleção “Quem Matou Zuzu Angel”, de Ronaldo Fraga, em 2001, e “A Costura do Invisível”, de Jum Nakao, em 2004. Depoimentos de grandes modelos veteranas, como Isabeli Fontana, Carol Ribeiro, Carol Trentini, Alessandra Berriel, Isabella Fiorentino e, claro, Gisele Bündchen, também ajudam a costurar a retrospectiva de mais de quatro décadas.

Coproduzido pela NBCUniversal e pela Popcon, com direção de Richard Luiz e produção de Tatiana Quintella, o documentário mergulha ainda na vida pessoal de Paulo, destacando alguns dos momentos mais difíceis que enfrentou e como a astrologia o guiou.

Paulo Borges — Foto: Adriano Damas / Divulgação

“Eu visitava uma astróloga a cada seis meses, era a mesma que atendia a Gloria Coelho. Certa vez, ela me disse para mudar a data do SPFW”, detalhou Paulo. Embora fosse muito ligado às orientações dos astros, decidiu não alterar o calendário naquela ocasião. “Eu falei que seguraria a onda caso algo inesperado acontecesse.”

Mas o otimismo na vida e a autoconfiança em um trabalho consistente e executado ao lado de uma equipe treinada não foram suficientes para impedi-lo de sentir o baque: já no primeiro dia do evento, logo após o desfile de abertura, Paulo soube da morte da mãe. “Foi a única edição, em todos esses anos, em que estive ausente”, lembrou.

A astrologia também teve um papel surpreendente em outro momento de sua vida, desta vez, trazendo boas novas. Paulo ouviu de sua astróloga que seria pai. A notícia veio um ano antes da adoção do menino, que conheceria despretensiosamente em um abrigo na Bahia, estado onde possui uma casa e para onde se refugia sempre que pode.

A incredulidade marcou sua reação inicial, algo que ele nunca esquece. Sem poder fugir de seu destino, no entanto, acabou dando sequência ao processo de adoção tempos depois. “O primeiro contato que tive com o Henrique foi visual. Ele ficava me olhando, mas de longe, sem tentar me agradar. Aquilo me conquistou”, recordou enquanto tentava conter as lágrimas. Assim aconteceu a primeira de muitas trocas que marcaram o vínculo eternizado entre os dois.

O terceiro e último episódio da série retoma a trajetória de Paulo e propõe uma reflexão sobre o que virá nas próximas décadas na moda e no SPFW. Mas, em um mundo desafiado por transformações cada vez mais instantâneas e incertas, o idealizador do SPFW preferiu deixar esta questão em aberto. “A gente não tem que viver o futuro. O futuro não existe, a gente é que imagina”.

FONTE:/vogue/BR

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