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- Author, Katya Adler
- Role, Editora de Europa da BBC News
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O governo convocou uma reunião de emergência nesta segunda-feira (19/10) e o ministro do Interior, Laurent Nuñez, tentou apresentar sua renúncia, informou o Palácio do Eliseu (sede da Presidência da França).
Mas o presidente Emmanuel Macron pediu que ele avalie medidas para reforçar a segurança nas ruas francesas e garanta que os responsáveis pelos atos de violência do fim de semana sejam levados à Justiça.
Mais de meio milhão de manifestantes, em sua maioria pacíficos, protestaram no sábado contra o aumento do custo de vida e o acesso cada vez menor a serviços públicos de qualidade, incluindo uma boa educação pública.
Mas os protestos se tornaram violentos após o aparecimento de grupos de ativistas e vândalos vestidos de preto e mascarados.
Estima-se que 1,5 mil lojas e estabelecimentos comerciais foram saqueados e destruídos. A polícia de choque usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra a multidão.
Em vários locais, policiais foram vistos agredindo pessoas com cassetetes. O Ministério do Interior francês informou que cerca de mil policiais ficaram feridos no sábado, sete deles gravemente.
Segundo Lecornu, cerca de 80% das pessoas presas por tumultos e violência durante o fim de semana de protestos enfrentam acusações criminais.
O primeiro-ministro culpou “grupos radicais de extrema esquerda” pela instabilidade e afirmou que os prefeitos das cidades mais atingidas têm agora o poder de introduzir toques de recolher parciais quando necessário.
Ele não especificou quais cidades receberam esses poderes, mas disse que essa é uma medida “mais apropriada” do que declarar estado de emergência em todo o país, apesar dessa opção não estar descartada completamente.
Quaisquer reparos necessários em propriedades danificadas serão financiados pelos responsáveis, com uma lei a ser implementada para tornar isso possível, disse ainda o premiê em uma coletiva nesta segunda.
Um fundo de desemprego parcial também está sendo criado para apoiar aqueles que não podem trabalhar porque seus negócios estão paralisados.
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O ministro do Interior tem sido acusado por adversários políticos, por alguns sindicatos e nas redes sociais de não ter se preparado adequadamente e de ter mobilizado efetivo policial insuficiente para os diversos protestos programados para sábado.
A presidente da Câmara Baixa do Parlamento francês, Yaël Braun-Pivet, quer abrir um inquérito para apurar exatamente o que aconteceu.
“As coisas estão sombrias na Cidade Luz” (apelido de Paris) foi o grafite que li rabiscado com tinta vermelha em uma parede ao lado de uma fileira de lojas depredadas na capital francesa, na noite de domingo.
Macron usou um pronunciamento televisionado à nação no domingo para apelar à unidade nacional e tentar assegurar ao público francês que os autores da violência seriam punidos.
O porta-voz da União Europeia (UE), Markus Lammert, afirma que a violência generalizada, incluindo incêndios criminosos, saques e ataques a pessoas e edifícios públicos na França, é “inaceitável”.
Ele acrescenta que o direito ao protesto pacífico na França deve ser protegido, mas que é importante não confundir isso com a violência generalizada.
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No domingo, a secretária-geral do sindicato CGT, Sophie Binet, acusou Macron de não dar atenção às preocupações dos estudantes, à crise do custo de vida e à queda na qualidade dos serviços públicos na França.
O presidente aparentemente passou esse bastão para o primeiro-ministro Lecornu. Macron é amplamente visto na França como um presidente em fim de mandato, que já está de saída.
Uma acirrada disputa está em curso para a sucessão presidencial, com a eleição marcada para daqui a seis meses. A candidata presidencial da direita nacionalista anti-imigração (Marine Le Pen) e o candidato da esquerda anticapitalista (Jean-Luc Mélenchon) disputam espaço nos holofotes e tentam dominar o debate público.
Isso aparentemente colaborou com as tensões atuais na França, tanto na política quanto nas ruas.
O parlamento está paralisado — profundamente dividido entre três blocos políticos rivais.
Além disso, a França enfrenta problemas financeiros. Os investidores pressionam fortemente o país para que sua dívida pública crescente seja controlada. Mas o governo francês teme que, se cortar serviços públicos ou benefícios sociais, mais pessoas revoltadas irão às ruas.
E agora, o que vai acontecer? O país está em crise? Essas são perguntas que ouvimos com frequência ultimamente.
Os acontecimentos de sábado deixaram muitos franceses chocados e apreensivos. As imagens de cidades tomadas por gás lacrimogêneo, de saqueadores agindo aparentemente sem impedimentos e de prédios públicos em chamas causaram preocupação em todo o país.
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Muitas das pessoas com quem conversei nas ruas expressaram frustração por ver que, enquanto estão preocupadas com o futuro, os principais líderes políticos do país parecem mais empenhados em trocar acusações e culpar uns aos outros pela instabilidade.
“Enquanto nos preocupamos com a nossa segurança, eles usam esta situação como moeda de troca política antes das eleições presidenciais”, me disse Edouard, professor e pai de três filhos.
Macron e seu primeiro-ministro atribui o caos violento de sábado a grupos radicais de extrema esquerda e delinquentes. O líder da extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon, alega “incompetência” do governo. Marine Le Pen, da direita nacionalista, que gosta de ser vista como firme na defesa da lei e da ordem, publicou um vídeo sentada em frente à bandeira francesa, fazendo um discurso em estilo presidencial, culpando o “governo Macron que está sem fôlego, exausto e desorientado”.
As autoridades francesas esperam um pouco de alívio nas próximas duas semanas. Os estudantes iniciam o recesso escolar na segunda-feira.
Mas, em 5 de novembro, uma ampla gama de sindicatos, além do movimento heterogêneo dos “coletes amarelos” (gilets jaunes) da França, que organizou manifestações por mais de um ano em 2018 — durante o primeiro mandato de Macron como presidente — anunciaram grandes protestos.
Agora, a França aguarda os próximos acontecimentos com apreensão.
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