Não faz muito tempo, menopausa era assunto tabu. Parecia que falar sobre isso era atrair má sorte. Quem começava a sentir os primeiros sintomas, batia na madeira três vezes e mudava o foco — e, em vez de procurar tratamento, ficava sofrendo sem necessidade. A falta de discussão levou à desinformação, que levou às dúvidas, à falta de pesquisas científicas, ao descaso de políticas públicas, ao preconceito, vergonha…
Foi só em 2009 que instituíram o Dia Mundial da Menopausa, uma data para marcar a importância de tirar o assunto das sombras. Só para se ter uma ideia, o Outubro Rosa, criado para a conscientização sobre o câncer de mama, surgiu na década de 1990. Então, não se deixe levar pelas vozes que dizem que essa história já deu, que não precisa falar tanto. Veja, são muitos anos de atraso. De silêncio. De desconhecimento. De pouco ou nenhum cuidado.
Ainda bem que a parcela de mulheres que falam e compartilham experiências é maior do que a que não quer olhar a fundo para a menopausa. Cada vez mais, essa conversa está ganhando o espaço público. E o efeito vai além de reconhecer ondas de calor, noites mal dormidas ou mudanças na libido: falar sobre a menopausa também é questionar por que tantas mulheres ainda se sentem menos desejadas, menos ouvidas ou menos valorizadas à medida que envelhecem.
As experiências são diferentes, mas há algo em comum nos relatos de atrizes, apresentadoras, modelos, empresárias: a recusa em tratar a maturidade como sinônimo de perda. No Dia Mundial da Menopausa, celebrado em 18 de outubro, reunimos dez mulheres que estão ajudando a ampliar essa discussão com declarações sobre saúde, desejo, autoestima, liberdade e reconhecimento.
Fernanda Lima: “Você se dá conta de que está entrando em um processo de envelhecimento. Mas também entendi que não tinha que sentar em uma cadeira de balanço e fazer tricô”
Fernanda criou o podcast “Zen Vergonha” para compartilhar o que aprendeu sobre menopausa e saúde feminina. Depois de conversar com médicos e avaliar os prós e contras, optou pela reposição hormonal e contou que voltou a se sentir ela mesma com o tratamento. “Tinha medo, encontrava muitas desinformações sobre os riscos. Entrevistei quase 20 médicos para o programa e pesei os prós e contras. Voltei a me sentir eu mesma depois que comecei”, conta. Em entrevista à Vogue, a apresentadora diz que, hoje, entende o erotismo para além da sedução: “Está em explorar a capacidade intelectual, ter uma vida ativa, viajar sozinha, fazer novos amigos. Elevar meu repertório me torna interessante, me sinto segura. E daí não tem como isso não transparecer, vai para as outras esferas, inclusive a sexual”.
Adriane Galisteu: “O tabu adoece mais que a fase em si”
“A ignorância me deixou mais brava do que os sintomas. A gente cresce com medo de hormônio, medo de câncer, medo de falar sobre menopausa. Medo de assumir que está na menopausa.” Adriane contou, em conversa com a Vogue, que enfrentou dificuldades para dormir, crises de choro, ganho de peso, queda de cabelo, perda de libido e ondas de calor. No início, não identificava a causa dos sintomas. “A menopausa não é o fim de nada. É uma curva, não um muro. Com informação e tratamento, a gente volta para o eixo”, afirmou.
Brooke Shields: “Me sinto mais sexy agora do que na adolescência”
“Tudo começou com a percepção de que estava entrando nessa fase muito importante, mas que não me diziam que eu tinha o mesmo valor de quando meus ovários funcionavam”, contou a atriz no vodcast I Changed My Mind. “Pensei: ‘Isso é uma loucura’. Me sinto mais sexy agora do que na adolescência e sinto que tenho muito mais a oferecer.” Brooke é mais uma das atrizes que questiona a ideia de que o valor da mulher diminui com o envelhecimento. “Quando você entende o que significa estar nesta fase da vida e não se desculpar por ser quem você é, você não precisa se diminuir”, declarou.
Astrid Fontenelle: “O que faltava era alguém falando: ‘É verdade. Aconteceu comigo’”
“Eu andei ficando meio indignada quando via várias mulheres chegando aos 50 muito surpresas com a menopausa. A informação já estava lá. O que faltava era alguém falando: ‘É verdade. Aconteceu comigo’.” Para Astrid, compartilhar experiências é uma maneira de ajudar outras mulheres a reconhecer o que estão vivendo e a procurar informação. Embora seja uma etapa natural da vida, como disse em entrevista recente à Vogue, a menopausa ainda surpreende quem chega a ela sem saber o que esperar.
Kim Cattrall: “Sou uma mulher e estou passando pela menopausa, então vou ter bastante a dizer sobre isso”
A atriz sempre se posicionou sobre o assunto, e até usou sua própria experiência com a menopausa na época em que gravava a série Sensitive Skin. Kim também já contou que enfrentou um período prolongado de insônia durante a perimenopausa e defendeu mais informação e compreensão sobre essa fase.
Naomi Watts: “Vá ao seu médico, tenha sua lista de sintomas à mão, não deixe que eles a” impeçam de fazer o tratamento”
Os sintomas de Naomi começaram pouco depois do nascimento de seu segundo filho, quando ela tinha 36 anos. Desde então, a atriz passou a compartilhar informações e a conversar sobre climatério com outras mulheres. “Estamos vivendo mais e simplesmente assumindo o controle deste tempo”, afirmou em entrevista à revista People no começo do ano. Quando começou a se abrir publicamente sobre a menopausa, celebridades que mal conhecia a procuraram pedindo orientação. “Elas diziam: ‘Meu Deus, acho que está acontecendo comigo. Me diga o que eu devo fazer.’”
Halle Berry: “Somos como versões turbinadas de nós mesmas”
“Não há nada a temer. Você está na sua melhor versão neste momento. Somos mais inteligentes, mais sábias. Somos como versões turbinadas de nós mesmas”, disse a atriz à Vogue americana. Halle tem usado sua visibilidade para ampliar a discussão sobre saúde feminina e combater o estigma em torno da menopausa.
Paulina Porizkova: “Nunca me senti tão bem no meu próprio corpo como hoje, aos 61 anos”
A modelo compartilha reflexões sobre envelhecimento, autoestima e atividade física em sua conta no Instagram. Ao falar sobre exercícios, contou que se sente mais forte do que costumava ser, mesmo depois de enfrentar problemas de saúde e dores que afetaram sua mobilidade. Também mencionou o ganho de peso na menopausa ao descrever seu caminho até se sentir confortável no próprio corpo.
Gloria Pires: “Comecei a me ouvir. A reconhecer o que é meu e também aquilo que eu não quero mais ceder”
Ao falar sobre maturidade e menopausa em entrevista à Vogue, Gloria destacou a importância de prestar atenção às próprias necessidades. A atriz falou que ganhou uma consciência maior sobre o que deseja preservar e o que já não faz sentido aceitar.
Egnalda Côrtes: “Depois que o útero deixa de formar filhos, ele passa a formar projetos”
“Há uma crença de que envelhecer é sinônimo de ultrapassado. Isso é um erro estratégico. O mercado só perde quando não entende que a maturidade é uma potência”, disse Egnalda Côrtes, CEO da Côrtes e Companhia, agência de creators negros, à Vogue. A empresária defende que as mulheres maduras sejam reconhecidas também por sua experiência profissional e capacidade de empreender. “Chamo isso de matripotência: a capacidade de transformar a energia da maternidade — biológica ou simbólica — em negócios e legados.”
FONTE:/vogue/BR



