Nascido no Japão, judoca lutou pelo Brasil e se tornou referência na modalidade no país; ele subiu no pódio em uma Olimpíada e um Mundial
16 out
2026
– 16h05
(atualizado às 17h13)
Considerado pioneiro e um dos principais nomes do judô no Brasil, o lutador Chiaki Ishii morreu aos 85 anos nesta sexta-feira, 16. O judoca, que é japonês naturalizado brasileiro, foi o primeiro a conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos no país, na década de 1970.
A causa da morte de Ishii não foi divulgada. A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) publicou uma nota oficial lamentando a morte do judoca. “É com enorme pesar que comunicamos o falecimento do sensei Chiaki Ishii, 1º medalhista olímpico e mundial do judô brasileiro. O pioneiro da longeva trajetória internacional do nosso esporte nos deixou hoje, mas seu exemplo continuará nos inspirando por muitos e muitos anos”, escreveu a confederação.
A primeira medalha do judô brasileiro foi em 1972, nas Olimpíadas de Munique, na Alemanha, quando ele conquistou um bronze. Chiaki Ishii lutava na categoria meio-pesado, até 93 kg, e também subiu ao terceiro lugar do pódio em 1971, no Mundial de Judô, que também foi disputado em território alemão.
Vida no Brasil e impacto no esporte
Nascido em 1941 em Ashikaga, que fica na província de Tochigi, no interior do Japão, Chiaki Ishii veio para o Brasil já adulto, em 1964, após perder as seletivas para participar das Olimpíadas de Tóquio, disputadas naquele ano. O atleta desembarcou no país após uma viagem de 60 dias de barco, tempo suficiente para que o japonês aprendesse português para se comunicar com os brasileiros.
A frustração de não ter emplacado uma carreira de judoca expressiva no Japão fez com que Chiaki Ishii começasse sua vida no Brasil como funcionário de uma fazenda em Presidente Prudente, interior de São Paulo. Entretanto, os brasileiros não demoraram para descobrir seu passado de lutador e suas habilidades no judô.
Ishii virou professor da modalidade em São Paulo e, em 1969, se naturalizou brasileiro para competir pelo país que o acolheu. Dois anos depois, ficou com o terceiro lugar no Mundial de Ludwigshafen, na Alemanha Ocidental, e repetiu o bronze no ano seguinte em Munique, dessa vez pelas Olimpíadas.
Seu impacto para o judô brasileiro não se limitou às conquistas importantes, mas também se estendeu ao seu trabalho de formação de atletas no país. Com uma academia localizada na Lapa, bairro da Zona Oeste de São Paulo, Ishii foi fundamental na formação de Rafael “Baby” Silva, judoca que tem três bronzes em Olimpíadas, em 2012, 2016 e 2024, além de sete pódios em Mundiais. Outro nome que se tornou grande na academia de Chiaki Ishii foi Walter Carmona, que também venceu um bronze em Jogos Olímpicos, na edição de 1984, em Los Angeles.
Chiaki Ishii foi homenageado diversas vezes pelo seu trabalho com o judô brasileiro. Em 2023, recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, oferecido a atletas brasileiros que possuem um legado de peso para o esporte do Brasil. Ele também faz parte do Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB) desde 2019.
É com enorme pesar que comunicamos o falecimento do sensei Chiaki Ishii, 1º medalhista olímpico e mundial do judô brasileiro. O pioneiro da longeva trajetória internacional do nosso esporte nos deixou hoje, mas seu exemplo continuará nos inspirando por muitos e muitos anos. https://t.co/0wdFfQUUmd
— Judô Brasil (@JudoCBJ) October 16, 2026
FONTE:Google Notícias



