O que fazer em Copenhague: castelos, cafés, jardins e passeios imperdíveis

Tem cidade que se explica em cinco minutos. Tem outras que vão se revelando aos poucos. Copenhague é da segunda turma, e justamente por isso conquista tanta gente. Entre palácios, canais, jardins, padarias e uma piscina aquecida no terraço do hotel, montei um roteiro para quem quer conhecer a capital dinamarquesa sem correr, e sem perder o que realmente vale a parada.

Onde ficar: Villa Copenhagen

Se tem um endereço que resume a cidade, é o Villa Copenhagen. O hotel ocupa o antigo prédio dos Correios e Telégrafos, de 1912, ao lado da Estação Central e bem em frente ao Tivoli. Por fora, fachada de ar gótico, quase castelo. Por dentro, o toque do empresário Petter Stordalen: paleta terrosa, design escandinavo e um saguão enorme, com teto de vidro, que vira ponto de encontro de hóspedes e de moradores. São 390 quartos, no prédio reaberto em julho de 2020. Os do último andar, sob o telhado inclinado, são os mais charmosos.

Nathalia Dias Gomes no Hotel — Foto: Acervo Pessoal

O ponto alto, sem dúvida, é a piscina de 25 metros no terraço, aquecida com o excesso de energia do próprio prédio e aberta o ano inteiro. Tem sauna ao lado (com reserva), e dá para ouvir os gritinhos da montanha-russa do Tivoli enquanto você nada. O café da manhã é um capítulo à parte: servido no antigo salão de triagem dos Correios, em formato de buffet, com pães e doces da Rug, a padaria do hotel (mais sobre ela adiante). À noite, o Courtyard Bar, sob o teto de vidro, é perfeito para um drink. E, se quiser circular como os locais, o hotel também aluga bicicletas.

Começando pelo clássico: Tivoli e Strøget

Nathalia Dias Gomes posa no canal e cartão-postal mais famoso de Copenhague, — Foto: Acervo Pessoal

O Tivoli Gardens, aberto desde 1843, é um dos parques de diversões mais antigos do mundo e funciona como um jardim de contos de fadas, com lanternas, carrossel e noites de espetáculo. Ele funciona por temporadas: verão (de abril a setembro), Halloween (em outubro) e Natal (de meados de novembro a início de janeiro), fechando entre uma e outra. Nas temporadas de Halloween e Natal, o horário costuma ser das 11h às 22h. É programa para todas as idades, e com crianças é garantido. Dali, siga a pé para a Strøget, uma das mais longas ruas de pedestres da Europa. Lojas, cafés e muita gente bonita passeando. Dica: dê uma volta sem pressa e fuja das ruas laterais só na hora de comer.

O Castelo de Rosenborg, do início do século XVII, é um dos meus preferidos: foi construído por Christian IV, guarda as joias da coroa dinamarquesa e tem salões que parecem ter sido arrumados ontem. Costuma abrir todos os dias, das 10h às 17h. No verão, abre mais cedo, às 9h, e de novembro a dezembro fecha às segundas e encerra o expediente às 16h. Ao lado, o Kongens Have, o Jardim do Rei, é o mais antigo jardim real da cidade e tem entrada gratuita o ano inteiro. Em dia de sol, é lá que os dinamarqueses estendem as cangas e fazem piquenique, e vale seguir o exemplo!

Kvæsthusmolen, junto à praça Kvæsthusplad — Foto: Acervo Pessoal

Mais adiante fica o Amalienborg, com seus quatro palácios rococó em volta de uma praça octogonal, residência da família real. Chegue perto do meio-dia para ver a troca da guarda. E, a poucos passos, a Igreja de Frederico (a Igreja de Mármore), com uma das maiores cúpulas da Escandinávia. Mesmo quem não é de visitar igreja costuma sair de lá impressionado.

Beira d’água: Nyhavn, Pequena Sereia e Kastellet

O Nyhavn é o cartão-postal que todo mundo já viu, e é claro que lota. Mas o canal do século XVII, com as casinhas coloridas e os barcos de madeira, onde Hans Christian Andersen chegou a morar em três endereços diferentes, continua encantador. Vá cedo ou no fim da tarde, e escolha uma mesa à beira d’água.

De lá, uma caminhada leva até a Pequena Sereia, instalada em 1913 por encomenda de Carl Jacobsen. Prepare-se: ela é bem menor do que você imagina, e é justamente isso que a torna tão simpática. Perto dali, o Kastellet, uma fortaleza em forma de estrela do século XVII que ainda é área militar, é um dos passeios mais tranquilos da cidade, com muralhas, gramados e moinho. Com crianças, é ótimo para soltar a energia.

Christianshavn, Christiania e o mirante mais alto da cidade

Christianshavn é o bairro de canais de inspiração holandesa, cheio de casinhas inclinadas, barcos-casa e bicicletas encostadas em tudo. É ali que fica a Vor Frelsers Kirke, a Igreja do Nosso Salvador, famosa pela torre com escada em espiral por fora. A entrada na igreja é gratuita, e a subida da torre tem 400 degraus, sendo os últimos 150 ao ar livre, até cerca de 86 metros de altura. A torre abre todos os dias, das 9h às 20h, mas fecha em janeiro e também em dias de chuva ou vento forte, porque os degraus de cobre ficam escorregadios. Como a capacidade é limitada, o ideal é reservar o horário com antecedência. Crianças podem subir acompanhadas de um adulto, mas quem tem vertigem deve avaliar com calma. A vista panorâmica de Copenhague lá de cima é, para mim, um dos grandes momentos da viagem.

Do outro lado do bairro está Christiania, a cidade livre fundada em 1971 numa antiga área militar, com murais, oficinas, cafés e casas feitas à mão. É um passeio diferente, que vale com curiosidade e bons modos: siga as placas de regras na entrada, não fotografe na área da Pusher Street e peça permissão antes de fotografar moradores e casas.

Para um café (e um pão) com personalidade

Em Copenhague, a pausa para o café é quase um programa à parte, e a cidade tem padarias e cafés que valem o desvio no mapa.

A Rug Bakery, dentro do Villa e aberta a todos, tem nome de pão: rug significa “centeio” em dinamarquês. No balcão, rolinhos de cardamomo, croissants e pains au chocolat; da cozinha, ovos cremosos com manteiga queimada e croque madame. À noite, ela se transforma, com pizzas de fermentação natural e vinhos naturais. Os grãos usados vêm de plantações a cerca de 30 quilômetros da cidade.

O Kompa’ 9 fica na Kompagnistræde, uma rua charmosa pertinho da Strøget, e é aquela parada ideal para recarregar as energias depois de muita caminhada. O café é orgânico, a mesa comunal vem com uma pilha de revistas e o café da manhã é bem dinamarquês: ovo cozido, mingau de maçã, frios e pão de centeio. Também tem sanduíches de centeio no almoço e chocolate quente de verdade.

O Studio X Kitchen nasceu junto com a loja de design Studio X, na Dronningens Tværgade, a poucos passos do Kongens Have. A cozinha é comandada pela chef Stephannie Liu, com pratos sazonais, delicados e bem-feitos, como os ovos cremosos que viraram assinatura, além de pães, doces e um ótimo café. O ambiente é minimalista e a pausa perfeita depois de uma manhã de compras.

O Mad & Kaffe, em Vesterbro, abriu em 2015 e logo virou parada obrigatória para o brunch. Você monta o seu prato marcando numa lista as pequenas porções que quiser, e tudo chega lindo e colorido. Não aceitam reserva, então prepare-se para uma espera e aproveite para passear pela Sønder Boulevard enquanto isso.

Para fechar, a Lille Bakery, em Refshaleøen, uma antiga área industrial a uma pedalada do centro. É pequena, menos turística do que as outras e famosa pelo pão de fermentação natural e pelo rolinho de canela. Ótima desculpa para conhecer um canto diferente da cidade.

Um bate-volta imperdível: Castelo de Frederiksborg

Castelo de Frederiksborg — Foto: Getty Images

Se der para reservar um dia, vá até o Castelo de Frederiksborg, em Hillerød, o maior castelo renascentista da Escandinávia. De trem (linha A, a partir da Estação Central), a viagem leva cerca de 40 minutos, e da estação são uns 15 minutos a pé, margeando o lago ou pelas ruas do centro. O castelo repousa sobre três ilhotas, abriga o Museu de História Nacional e abre todos os dias, inclusive às segundas, geralmente das 10h às 17h. Menores de 18 anos não pagam entrada, o que ajuda muito quem viaja em família. Os jardins e o espelho d’água fazem desse passeio um dos mais bonitos da Dinamarca.

Copenhague é uma cidade que dá conta de vários mundos sem se atrapalhar. Cabe um castelo renascentista e uma comunidade alternativa de casas feitas à mão, uma torre em espiral e um parque de diversões de 1843, um canal de cartão-postal e uma padaria onde o pão ainda sai quente. Tudo isso a poucos minutos de bicicleta um do outro, e sem aquela sensação de que você precisa correr para dar conta de tudo.

Ao fim de cada dia, é só voltar para o Villa, subir ao terraço e deixar a água quente fazer o resto. Você acorda ocupado, dorme descansado, e já começa a planejar a volta.

FONTE:/vogue/BR

Related Articles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Stay Connected

0FãsCurtir
0SeguidoresSeguir
0InscritosInscrever
- Advertisement -spot_img

Latest Articles