Premiê britânico diz que Rússia interferiu no Brexit – 12/10/2026 – Mundo

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, dirá ao Parlamento, nesta segunda-feira (12), que o Reino Unido deve se reaproximar da União Europeia e que um novo acordo pós-brexit com o bloco poderia impulsionar o crescimento e ajudar a controlar a imigração.

Em entrevista ao podcast “The Rest Is Politics” (o resto é política), divulgada no domingo (11), o premiê disse que Moscou interferiu no referendo de 2016 que decidiu pela saída britânica da UE.

Burnham, que assumiu o cargo em julho, afirmou que recebeu informações sobre a atuação da Rússia ao questionar, após chegar à residência oficial do governo, em Downing Street, se houve interferência no pleito. “E a resposta que recebi foi clara: sim, houve”, disse.

O primeiro-ministro, porém, não explicou de que maneira a Rússia teria atuado na votação nem apresentou detalhes sobre as evidências que sustentariam a afirmação. A embaixada russa em Londres não respondeu ao pedido de posicionamento.

Moscou já negou ter interferido no referendo e costuma descrever as críticas britânicas como parte de uma campanha de “histeria antirrussa”. A declaração de Burnham contrasta com a posição adotada pelo ex-premiê Boris Johnson, um dos principais defensores da saída da UE, que afirmou em 2020 não haver evidências de interferência russa na consulta popular.

Realizado em junho de 2016, o referendo terminou com 52% dos votos a favor da saída do bloco e 48% pela permanência. A decisão desencadeou uma prolongada crise política no Reino Unido e alterou a relação do país com seus vizinhos europeus. À época, o premiê fez campanha para que o Reino Unido permanecesse na UE.

Um relatório do Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento britânico, divulgado em 2020, concluiu que o governo não havia investigado adequadamente a possibilidade de interferência russa no referendo. O documento também apontou que Moscou tentou influenciar a consulta de 2014 sobre a independência da Escócia, rejeitada pela maioria dos eleitores.

Ao comentar o assunto, Burnham disse que é importante tornar públicas as tentativas de desestabilização de democracias europeias. Segundo ele, a divulgação dessas informações pode ajudar eleitores de países como França e Alemanha a reconhecer a influência de atores estrangeiros sobre o debate político.

“Quero dizer, é importante deixar essas coisas bem claras agora, e acredito que isso ajudará os eleitores na Alemanha e na França a entenderem que parte dessa política é instigada por nossos inimigos, ou seja, a Rússia”, afirmou.

A declaração ocorre em meio à reabertura do debate sobre a relação entre Londres e Bruxelas. No mês passado, Burnham disse que poderia fazer campanha pelo retorno do Reino Unido à União Europeia nas próximas eleições gerais, uma mudança significativa no debate político britânico.

Desde o brexit, o interesse do Reino Unido em voltar a aderir ao bloco aumentou nos últimos anos, com a maioria dos britânicos a favor, de acordo com as sondagens de opinião.

Burnham argumenta que o Reino Unido não se beneficiou do brexit e deveria reavaliar as relações com os Estados Unidos de forma “calma e objetiva”.

O premiê deve apelar a todos os partidos para que apoiem a sua abordagem, afirmando que seria irresponsável ignorar a possibilidade de um novo acordo .

FONTE: Google

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