Bella Campos está ruiva! Depois de cortar curtinho, a atriz escolheu um tom de castanho avermelhado para marcar mais uma de suas mudanças capilares. Conhecida por transitar com facilidade entre diferentes cabelos, a artista abriu o jogo sobre a sua relação íntima com as transformações e como cada mudança reflete ciclos importantes em sua vida pessoal e profissional.
Em entrevista à Vogue Brasil, Bella conta que a relação com o cabelo ganhou novos significados ao longo dos anos. Depois de passar parte da adolescência alisando os fios e de experimentar diferentes possibilidades de visual, ela diz viver hoje uma relação mais livre com a própria imagem. “Quando eu sinto que estou precisando de mais coragem e liberdade, é quando eu decido me transformar um pouquinho”, afirma.
A nova cor, feita com Excellence Nudes de L’Oréal Paris, também chega em um momento de novidades na carreira. Depois de interpretar Maria de Fátima em Vale Tudo, Bella se prepara para uma nova fase, que inclui sua estreia no cinema com Cinco Tipos de Medo, filme que protagoniza ao lado de Xamã, e a série Estranha na Cama. “É um ótimo momento para experimentar e descobrir novas Bellas”, resume.
Confiram a entrevista completa com Bella Campos:
Vogue Brasil: O que motivou essa escolha de cor agora? Você sente que essa cor marca o início de um novo ciclo na sua vida pessoal e profissional?
Bella Campos: Gosto muito de usar laces, elas têm me aproximado da cultura e saberes ancestrais ligados ao cabelo da mulher negra. Tenho pensado sobre independência, momentos de autocuidado e a leveza de poder brincar com essa possibilidade de mudar de cabelo todos os dias.
Quando cortei meu cabelo curtinho, pensava mesmo em uma libertação, em menos trabalho e também mais identidade, mais visibilidade dos meus traços físicos e expressões, o que conversa bastante com uma necessidade da minha profissão. Então é um corte que combina muito com meu estilo atual, mas a cor dele é algo que eu tenho me sentido cada vez mais à vontade para explorar, experimentar.
Vogue Brasil: Como foi o processo de tomada de decisão para essa transformação? Você é daquelas que decide do dia para a noite ou planeja cada detalhe com o profissional?
Bella Campos: Eu sou bem espontânea quando o assunto é cabelo. Gosto de conversar com os profissionais, claro, mas dificilmente fico meses planejando uma transformação. Dessa vez não foi diferente.
Eu sinceramente gosto de ter duas ou três opções de cores para, quando eu decidir que é hora de mudar, poder fazer isso no meu tempo e optar pelo que está fazendo sentido naquele momento. Vira um ritual de autocuidado que é também de autoexpressão e renovação.
Acredito que essa disponibilidade para experimentar também está ligada ao momento que estou vivendo profissionalmente. Tive minha estreia recentemente no cinema e percebi que a linguagem é totalmente diferente, assim como a experiência estética desse formato, então, é um ótimo momento para experimentar e descobrir novas Bellas.
Vogue Brasil: Qual foi a sua reação ao se ver no espelho pela primeira vez após a mudança?
Bella Campos: Eu amei me ver diferente, ruiva, com esse tom de castanho avermelhado. É muito gostoso esse primeiro encontro com uma imagem que você ainda não conhece, é gostosa a sensação de que a partir daqui, tenho mais um montão de momentos especiais a serem vividos, sabe? Por exemplo, esse ano desfilo no Le Défilé de Paris ao lado de mulheres que admiro muito, como Viola Davis, um ícone do cinema que vêm se tornando uma potência também no backstage da indústria, trabalhando sua versão empresária à frente da sua própria produtora.
Acho incrível essa possibilidade de sempre tentarmos o novo, sempre ser hora de honrar o que fomos no passado e celebrar tudo o que podemos ser daqui em diante. Mudar o cabelo, pra mim, traz essa sensação: gostar de descobrir novas versões de mim e perceber o que cada uma delas desperta e revigora minha eu do futuro.
Vogue Brasil: O cabelo é claramente uma ferramenta poderosa de expressão para você. Como você define a sua relação com seus fios?
Bella Campos: Passei muitos anos da minha vida fazendo química, mudando a estrutura do meu cabelo. Isso trazia algumas consequências não tão boas, como não ter tanta liberdade para brincar com cores, cortes e texturas. Hoje em dia vejo que meu cabelo sempre foi uma forma de expressão, mas também de identidade, autoestima e até uma proteção para que eu pudesse ser eu. Cada escolha teve um significado diferente na minha trajetória e fez sentido dentro do que eu precisava no momento.
Durante a adolescência, eu alisava porque não tinha tantas referências e acreditava que precisava me encaixar em determinados padrões, mas foi bom naquele período. Depois, passei um tempão achando que só combinava com cabelos longos, porque carregava estigmas sobre o que é beleza feminina. Hoje, quero crer que reforço entre outras mulheres que nossos cabelos são lindos, independente da forma como decidimos usá-los.
Vogue Brasil: Muitas pessoas têm apego ou medo de radicalizar. De onde vem essa coragem e liberdade para transformar o visual de forma tão autêntica e constante?
Na verdade, é justamente o contrário comigo, sabia? Quando eu sinto que estou precisando de mais coragem e liberdade, é quando eu decido me transformar um pouquinho. Algumas dessas transformações não são tão visíveis, mas são constantes. Esse treino quase meditativo de saber que a vida é feita de mudanças e transformações me ajudam a mudar de visual com mais diversão e leveza.
E eu sempre penso: qualquer coisa, eu mudo. Principalmente para nós, mulheres negras, existe uma relação muito forte com a forma como aprendemos a enxergar a nossa própria beleza. Poder experimentar, usar o cabelo como quiser e se reconhecer nessas diferentes versões é algo que valorizo demais.
Vogue Brasil: Depois de encerrar um ciclos marcante na atuação, a Maria de Fátima em Vale Tudo, mudar o cabelo te ajuda a “desconectar” da personagem e reencontrar a sua própria identidade?
Bella Campos: Ajuda, sim, principalmente porque cada personagem deixa alguma coisa em mim. Até hoje recebo relatos de meninas cacheadas que me contam que tiveram coragem de cortar ou assumir o cabelo depois de me verem. Isso me emociona. Ao mesmo tempo, gosto de lembrar que continuo descobrindo quem sou, e experimentar outros visuais também faz parte desse processo. Não é exatamente sobre deixar uma personagem para trás, mas sobre seguir caminhando e conhecer novas versões de mim.
A Maria de Fátima sempre vai fazer parte da minha história e foi uma personagem que me ensinou muito. Mas tenho que confessar que quando as gravações terminaram e eu pude cortar o cabelo, uma vontade que eu já tinha há bastante tempo, foi bem maravilhoso.
Vogue Brasil: As mudanças de visual impactam no seu estilo? De que forma?
Bella Campos: Com certeza. Cada cabelo abre possibilidades diferentes e muda a forma como enxergo as roupas, a maquiagem e até a maneira como quero me apresentar. É quase como ampliar o meu repertório. Gosto de perceber como uma pequena mudança pode me fazer experimentar coisas que talvez eu não escolheria antes.
Outro ponto é a colorimetria: a cor do cabelo muda completamente os contrastes de pele, tecidos brilhantes ou opacos. Tenho aprendido muito sobre isso com profissionais de beleza e moda, eles me mostram que junto com a mudança da coloração do cabelo ou do penteado, existe um universo inteiro de possibilidades.
Vogue Brasil: Para fechar: tem algum trabalho novo que você já pode adiantar algum spoiler?
Bella Campos: Estou muito animada com essa nova fase. Gravei recentemente Estranha na Cama, uma série em que interpreto uma personagem instigante, magnética e que, ao mesmo tempo, nos traz um sentimento de piedade e esperança, nos confronta com nossas próprias escolhas e julgamentos.
Além disso, esse ano está sendo marcado pela minha estreia no cinema com o filme Cinco Tipos de Medo, que protagonizo ao lado de Xamã e tem um significado gigante para mim por contar uma história da minha cidade natal, Cuiabá. Estamos em turnê internacional com ele e vê-lo sendo premiado e bem recebido por tantos públicos diversos é algo que realmente tem me emocionado.
FONTE:/vogue/BR



