Por que Sweeney seminua é a arma da direita americana? Porque vocês clicam

Bem, as atletas não acharam. Ser mulher no esporte é uma batalha que não depende só de desempenho na pista, na quadra, no campo. Passa também pelo desafio de driblar a opinião pública e, com ela, o foco na hipersexualização da mulher. Quando Sidney junta duas bolas de futebol americano para cobrir seus fartos seios e afirmar que é só esporte, está reduzindo a carreira de mulheres que há anos lutam justamente para tirar o estigma erótico de seus (belos e torneados) corpos. Nessa equação há uma fração da população que não perde nada, os homens consumidores desse tipo de conteúdo que provavelmente são a parte majoritária dos apostadores esportivos. Touché da publicidade.

O que se deu na sequência foi polêmica, e isso vem sendo a especialidade das marcas que contratam Sidney. As atletas postaram fotos vibrando (e sofrendo) nas competições que já disputaram com legendas informando que é daquela maneira que as mulheres ficam nos esportes. Não dá tempo de usar o aro do basquete como banqueta se você está de uniforme, embaixo dessa tabela, tentando fazer com que uma bola passe por dentro daquele aro. Realmente aquilo não é esporte, como diz Sidney com voz lânguida, e ela precisa sair dali para alguém fazer três pontos. Esporte é outra coisa.

Mas tem um agravante. Sweeney é filiada ao Partido Republicano. Ela virou musa da direita. Sim, aquela direita que se vir qualquer mulher progressista trepada sem roupa em qualquer lugar, atira pedras. Mas, como é Sidney a seminua, o jogo vira. No início deste ano, sua marca de lingerie, da qual ela mesma é modelo, foi parceira de um festival de música country conservador. No ano passado, a atriz posou para uma grife de jeans com o slogan que “ela sempre teve bons jeans”. Tudo ok, exceto que a sonoridade lembra a da palavra genes, em uma alusão aos genes loiros e à supremacia branca. Horrível.

Na fila dos advogados informais de defesa desse tipo de campanha, está massa republicana americana e os tantos cosplays de americanos conservadores espalhados pelo mundo. Sim, os arautos da decência defendem veementemente que uma mocinha tenha direito de exibir seu corpo como bem entender (e aí eu também defenderia), mesmo que isso ofenda pessoas não brancas, atletas mulheres ou quem mais estiver no caminho (aí, meus amigos não dá).

O resultado, comercialmente, é um sucesso. O comercial foi clicado milhões de vezes e o nome da empresa de apostas, até então desconhecido, está fixo na mente dos americanos tal qual a silhueta do corpo de Sidney. A atriz ainda postou fotos antigas de mulheres esportistas que já haviam posado nuas, contribuindo para perpetuar, assim, um costume que a ala progressista e o movimento feminista vêm tentando quebrar há tempos.

Enquanto isso, uma reportagem no The New York Times comparou essas campanhas sensuais a “um sinal do Batman”, que convoca prontamente os conservadores para defender a marca. Pois é: os conservadores defendendo a nudez; os progressistas querendo vestir Sidney de modos a que ela não ofenda mais minorias. E os dois grupos clicando sempre que surge a menor possibilidade de ver a moça pelada. Inclusive você — ou vai dizer que clicou aqui só para ler o que eu achava do assunto?

FONTE:Google Notícias

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